Charuto 100% feito à mão tem mercado requintado
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terça-feira, 30 de junho de 2009
Gisele Mendonça<br> Reportagem Local 
O Brasil é um dois maiores exportadores de tabaco do mundo e agora começa também a produzir charuto de alta qualidade. Apesar de ainda não ser um grande consumidor do produto (a média é de 5 milhões de unidades por ano), o país tem um público seleto, interessado em conhecer a apreciar um bom charuto. No meio desse grupo despontam empresários dispostos a investir na indústria charuteira, mostrando que não é só Cuba que tem know-how.
Fumante de charuto há 25 anos, o empresário Luiz Barone começou fabricar o produto há dois anos. Associando-se a um cubano (que trabalhava como enrolador de charuto em seu país de origem), ele investiu US$ 1 milhão para colocar no mercado a linha de charutos Don Porfírio. Agora, juntamente com outro sócio, deve injetar mais US$ 1 milhão na expansão do negócio, com a fabricação de cigarrilha e cigarro de palha de enrolar. A intenção é tornar os produtos conhecidos no Brasil para posteriormente entrar no mercado internacional.
A aposta de Barone no negócio tem base na paixão e conhecimento que possui sobre o charuto e todos os seus rituais. ''Charuto não é um vício. É um complemento de um bom jantar, acompanhado de uma boa bebida. É acima de tudo um elemento de confraternização, pois o charuteiro não gosta de fumar sozinho'', afirma.
''É um hábito extremamente relaxante e tem um ritual: você senta, corta, acende. Leva-se até uma hora e meia para fumar um charuto inteiro e não se traga a fumaça'', completa o empresário, que tem uma respeitável biblioteca sobre o tema e é assinante das principais revistas especilizadas do mundo.
Com linha de produção em Boituva, interior de São Paulo, e setor administrativo em Londrina, a empresa Barone, Bressan Ltda fabrica um charuto feito à mão com tabaco 100% brasileiro, oriundo da Bahia. Para enrolar as três partes do charuto (miolo, capote e capa) são utilizadas folhas inteiras de fumo. Compõem o blend as variedades Mata Norte, Mata Fina e Sumatra. Depois de secas, tratadas, fermentadas e separadas, as folhas são embaladas em fardos para serem transportadas. A empresa compra o produto nesses fardos, que são armazenados em ambiente climatizado.
Depois de enrolados um a um, os charutos são envelhecidos por um período de seis meses até chegarem ao mercado. Duas máquinas importadas fazem o teste de fluxo dos charutos. ''Por serem enrolados à mão, podem ficar muito apertados ou muito frouxos. E aí não são agradáveis de fumar. O teste de fluxo garante um controle de qualidade rigoroso'', diz. Um dos diferenciais desses charutos, segundo Barone, são alguns formatos com ponta, que requerem habilidade especializada na produção.
A produção atual é de 100 mil unidades/mês. São comercializadas embalagens com três, dez e vinte unidades. A média de preço para o consumidor é de R$ 15 a unidade. Barone explica que o produto exige umidade e temperatura controladas, por isso precisam ser armazenados em caixas umidoras. ''A pessoa pode adquirir um excelente produto, mas se armazenar incorretamente, vai fumar um charuto ruim'', orienta.
Para os iniciantes no ritual do charuto, Barone aconselha avaliar a relação custo-benefício. Os charutos feitos à mão são mais caros do que os industrializados e, entre esses, os cubanos são os mais valorizados. Mas, escolher um charuto só pelo fato de ser cubano não é o caminho. ''É indiscutível que Cuba faz excelentes charutos, mas também faz produtos de baixa qualidade, o que acontece com todos os países produtores'', repara Barone.
Ele diz que um charuto cubano 100% feito à mão custa, pelo menos, o dobro de um brasileiro também produzido manualmente. Ele lembra que os principais países produtores de charuto produzido desta forma hoje são Cuba, Nicarágua, República Dominicana e Brasil.
Origem e curiosidades
- Estudiosos afirmam que a origem do charuto é anterior à chegada de Cristóvão Colombo à América. Os índios que Colombo encontrou já fumavam folhas de tabaco, ou fumo, entrelaçadas.
- Para manter a qualidade, os charutos devem ser mantidos em temperatura entre 18 e 20 graus e umidade de 70% a 80%.
- Os charutos 100% feitos à mão são mais caros do que os industrializados e, entre esses, os cubanos são os mais valorizados.
- Os iniciantes no ritual do charuto devem avaliar a relação custo-benefício: o Brasil tem produtos de alta qualidade pela metade do preço dos badalados cubanos.
- Cuba, Nicarágua, República Dominicana e Brasil são hoje os principais países produtores de charuto 100% feito à mão.
- A degustação do charuto favorece encontros e conversas e, geralmente, é feita após as refeições.
- Charutos não foram feitos para serem tragados e sim para que os aromas e sabores das folhas sejam misturados na boca.
- Na compra de unidades individuais, deve-se verificar se as folhas externas estão brilhantes e sem danificações, cortes ou rachaduras.
Fontes: Luiz Barone, Tabacaria Lazer e Prazer e www.charutos.com.br


