A Chapecó prepara-se para realizar a troca de seu controle acionário. A assessoria de imprensa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um dos principais credores da Chapecó, informa que as negociações com o grupo argentino Macri estão aceleradas.
A expectativa no BNDES é que a operação de troca de controle acionário seja formalizada no próximo dia 5. A operação está sendo intermediada pelo Banco Bozano, Simonsen.
O grupo italiano Cragnotti chegou a analisar a compra por meio do consultor Luiz Fabiani, mas a proposta da Macri está sendo considerada pelos credores como mais atraente. A Macri assumiria passivo de R$ 150 milhões, correspondente à diferença entre as dívidas da companhia de R$ 300 milhões e o valor de mercado da empresa estimado em R$ 150 milhões.
Evandro Pagy, assessor de imprensa do Bozano, Simonsen, confirma que ‘‘existe processo de negociação em curso’’. A assessoria da Chapecó afirma que a completa reestruturação da companhia contempla, sob a coordenação dos credores (entre eles, o BNDES) a busca de parceiros e a ‘‘troca de controle acionário’’.
Os administradores das empresas Chapecó estão desde o início do ano buscando alternativas para sanar a difícil situação da empresa com o suporte dos principais credores, que assumiram posição de comando no Conselho de Administração da companhia.
No decorrer do primeiro semestre de 1997 foi concretizado o acordo de credores, que resultou no reescalonamento de dívidas de curto para longo prazo e na adequação das taxas de juros.
A SA Indústria e Comércio Chapecó registrou no balanço de nove meses de 97 um patrimônio líquido negativo de R$ 73,1 milhões e um prejuízo líquido acumulado nos primeiros nove meses de R$ 81,056 milhões. O faturamento total consolidado do grupo até o terceiro trimestre de 1997 foi de R$ 162,8 milhões, sendo 73,5% no mercado interno e 26,5% no externo.
A receita de produtos derivados de suínos contribuiu com 34,3%; de aves, 60,1% e o restante de outras vendas. A empresa está passando por forte ajuste no quadro de pessoal. O número de funcionários reduziu-se de 5.762 em setembro de 1996 para 3.584 no mesmo período deste ano.
No próximo dia 5, as tratativas, que se intensificaram no último fim-de-semana, no Brasil, deverão estabelecer os últimos detalhes do acerto.
O diretor de Finanças do grupo Macri, Daniel Sideiro, que estava no Brasil e chegou ontem a Buenos Aires. Fontes do grupo, porém, revelaram que a compra da Chapecó deverá ser o início de um investimento voltado para a área de frigoríficos. Com o setor alimentício, o grupo Macri já trabalha, inclusive no Brasil. O chefe de logística do grupo Macri, Mario Accorinti, disse ainda desconhecer o acerto. Na verdade, o grupo considera a compra da empresa brasileira um investimento de alto potencial. Por isso, evita detalhá-lo.
O faturamento do grupo Macri, um dos mais poderosos da Argentina, é de US$ 4 bilhões anuais. O objetivo é incrementar em 98 os investimentos no Brasil.

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