São Paulo O governo brasileiro está mais preocupado em destravar a pauta paralisada no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) do que reativar as negociações entre a União Européia e Mercosul, interrompidas desde outubro. A posição foi manifestada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, ao ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, em encontro realizado anteontem, segundo relato feito ontem pelo próprio chanceler alemão, durante almoço da Câmara Brasil Alemanha de Comércio e Indústria, em São Paulo.
''Brasília reconhece as discussões da OMC com mais prioridade do que a negociação UE-Mercosul, embora eu ache que deveríamos avançar nas duas vias simultaneamente'', afirmou Fischer, em claro tom de insatisfação, aos cerca de 100 empresários, durante almoço realizado no Clube Transatlântico.
''O Mercosul é muito importante para a UE, assim como, acredito, também essa é avaliação do lado do sul-americano. Continuamos interessados a firmar um acordo ambicioso entre os dois blocos'', adicionou.
''Queremos reciprocidade'', enfatizou Joschka Fischer. Ele admitiu ter de ''vencer dificuldades que não são fáceis'' para tratar das importações de carnes na UE, mas insistiu que as propostas de abertura dos sul-americanos ainda estão defasadas em compras governamentais, infra-estrutura e serviços.

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