Chance de bons preços anima produtores de trigo
A crise na Argentina aumenta a chance de uma boa comercialização da próxima safra paranaense, que começa a ser plantada em meados de março. Além disso, os produtores têm como certo que, tanto o governo como o setor industrial, estão mais conscientes da necessidade de se reduzir a dependência do cereal importado. A garantia do abastecimento passa pelo aumento da produção interna, que terá um preço remunerador, a não ser que o fator câmbio aumente muito a competitividade do trigo argentino e que além do trigo a Argentina também exporte farinha.
Mesmo assim, há o fator qualidade. O trigo argentino foi prejudicado por excesso de chuvas na colheita e precisa ser misturado com trigos brasileiro, americano ou canadense para melhorar o padrão.
Vários fatores contribuem para o aumento da área este ano. Se o clima correr bem, o Paraná elevar a área para perto de 1 milhão de ha (na última safra foram 963.589 ha) e colher aproximadamente 2 milhões de toneladas (1.912.820 t no ano passado). Dependendo do tempo, a produtividade também deve aumentar com a entrada de variedades cada vez melhores. A produtividade da última safra foi de 1.985 kg/ha.
O Brasil tem capacidade para plantar 10 milhões de ha e mesmo assim vai importar 8,4 milhões de toneladas, um gasto de US$ 1 bilhão que poderia ser diminuindo, conforme observa o pesquisador do Iapar Luiz Alberto C. Campos. Acredito que este ano teremos uma boa produção, prevê o especialista, um dos responsáveis pelas variedades plantadas no Paraná e que têm contribuído para expansão do trigo. Campos acha que a certeza de altas produtividades e preços melhores este ano vão estimular o plantio de trigo, segundo ele, a melhor alternativa para o inverno.
Os produtores acreditam no trigo, tanto que no ano passado a área foi maior que o previsto. Pelo plano do governo federal, em 2002 a podução nacional deve atingir 3 milhões de toneladas, mas isto foi alcançado em 2001. Para a próxima safra, de 2002, a estimativa é que a colheita supere esta marca indo além dos 30% da demanda nacional (10 milhões de t). E se depender da tecnologia disponível, em 2005 o Brasil chegará a 60% da demanda nacional, que um ponto de equilíbrio e estabilidade.
O empresário e produtor de sementes Huguiyoski Sugeta, ouvido ontem pela Folha, também está otimista. Ele aponta os índices de produtividade e a qualidade do trigo paranaense como fatores fortes para alcançar bons preços. Do alto dos seus 30 anos de experiência no ramo de sementes, Sugeta também acredita em preços remuneradores para o trigo este ano. Outro ponto importante é a boa genética das plantas. Hoje o produtor pode escolher variedades de ótimo padrão.





