CGT troca reajuste anual por redução de jornada
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de junho de 1997
Agência Estado SÃO PAULO 
Em vez de uma lei que reduza a jornada de trabalho no Brasil para que aumente a oferta de emprego, sindicalistas da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) vão discutir, quarta-feira, uma fórmula polêmica: trocar reajuste anual por redução de jornada. Com a economia estável, podemos começar a pensar em novas formas de negociar benefícios e garantir empregos para os trabalhadores, disse o presidente da central, a terceira maior do País, Enir Severino da Silva.
A idéia de trocar pontos porcentuais, correspondentes à inflação de um ano, por parte do tempo de trabalho, em proporção ainda não definida, passará pelo crivo de 600 delegados da CGT inscritos num congresso diferente, no qual não se vai eleger presidente ou diretoria, mas sim definir princípios. A CGT, fundada em 1987, tem hoje 1.100 sindicatos filiados. Tem? Enir disse que não sabe. Nossa idéia é conferir isso, saber quem e quantos somos e o que pretendemos.
Assim, a CGT deve mudar seu estatuto e finalmente colocar no papel seus planos de luta sindical, hoje dispersos, com posições sendo tomadas ao sabor da conjuntura. A central quer com isso mostrar-se e atrair parte dos milhares de sindicatos que, com três ruidosas centrais no País, insistem em manter-se independentes. E para isso, a CGT tem de deixar claro que representa um contraponto às demais organizações, segundo Enir.
Por exemplo, afirmou, a CGT vai propor aos delegados do congresso que firmem posição pela unicidade sindical _ a reserva de mercado para sindicatos, que tem exclusividade para atuar em nome de uma categoria em determinada base territorial. Para Enir, isso significa a defesa das regras atuais e a rejeição dos sindicatos por empresas ou por central, que dividiriam as grandes categorias e seu poder de fogo.


