Cesta em Curitiba sobe 6,8%
Carmem Murara
De Curitiba
Os curitibanos pagaram mais caro para se alimentar em outubro. A cesta básica calculada pelo Dieese, que é formada por 13 produtos considerados essenciais a uma família, teve um encarecimento de 6,88%, no mês passado sobre setembro. O aumento foi o mais alto do ano e fez com que a variação acumulada saltasse para 10,3%. A alimentação dobrou de preço em relação à inflação anual e ficou seis vezes mais alta sobre o custo de vida no mês.
Uma família formada por um casal e duas crianças gasta R$ 318 para comprar todos os produtos incluídos na cesta básica. O custo representa 2,3 salários mínimos. Para um trabalhador se alimentar é necessário desembolsar R$ 106, o que dá um custo diário de R$ 3,54. Se a comparação for feita sobre o rendimento mensal, uma pessoa consome 84,7% do salário mínimo com comida.
O aumento da cesta básica em outubro foi impulsionado pelo preço do açúcar, tomate, feijão e carne. O açúcar liderou a lista com um aumento de 19,23%, seguido do tomate que ficou 14,9% mais caro. A escassez de boi gordo para o abate provocou um aumento de 10,2% no quilo do coxão mole (tipo de carne tomado como referência para a cesta básica do Dieese).
O feijão e o arroz, considerados fundamentais na alimentação do brasileiro, também pesaram no bolso. Os dois produtos estão na entressafra. No caso do arroz, houve uma queda na safra do Rio Grande do Sul que afetou o preço. Também ocorreu uma limitação na importação da Argentina e Uruguai.
Nove produtos ficaram mais caros, enquanto apenas três tiveram redução no preço. O item que ficou mais barato foi a batata com uma queda de 11,5%. O óleo de soja está 0,7% mais barato e o café em pó 0,15%. O leite em pó foi o único produto que manteve o preço.
Entre as razões que o Dieese colocou para justificar o aumento recorde do ano está o inverno prolongado, a entressafra e a estiagem. A cotação do dólar causou reflexos sobre as importações e exportações de produtos, refletindo diretamente no custo da alimentação, pois houve redução da oferta de alguns produtos.
A cesta básica de Curitiba foi a segunda que teve a maior variação no País, ficando atrás apenas de Brasília, cuja variação foi de 8,18%. A capital paranaense está em segundo lugar também na cesta básica mais cara, com um total de R$ 106.





