Cesta de tarifas sobe mais de 250% em dez anos
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
Katia Michelle Pires<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em uma década, a cesta de tarifas públicas consumidas pela população paranaense (que envolve produtos como energia elétrica, tarifa de ônibus e telefone) teve um aumento de mais de 250%. Em 1994, uma família média composta por quatro pessoas gastava com esse tarifário cerca de R$ 110,00. No ano passado, segundo pesquisa feita pelo Departamento de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Diesse) divulgada ontem, a mesma família passou a gastar R$ 386,00. Valor acima do salário mínimo em vigor atualmente. ''O salário mínimo atual é muito aquém do que uma família precisa para pagar apenas as tarifas públicas consumidas'', analisa o economista do Dieese Sandro Silva.
Nesse mesmo período, o grande vilão do aumento dos preços foi o telefone fixo. De acordo com cálculo do Diesse, há 11 anos, uma família gastava cerca de R$ 8,00 com assinatura pulsos e agora chega a gastar R$ 80,00. Mas antes que o consumidor tire o telefone da tomada, é preciso saber que o Dieese também fez uma outra análise, dessa vez anual, do tarifário público do ano passado. E divulgou que pela primeira vez em quatro anos, o índice de variação desses preços ficou abaixo da inflação. Não é exatamente um motivo para comemorar, já que o próprio Dieese avisa que esse fenômeno aconteceu apenas em Curitiba e Região Metropolitana e é considerado ''atípico''.
No ano passado, as tarifas na capital aumentaram 4,32% enquanto o índice nacional de inflação ficou em 5,69% e o de Curitiba 4,79%. Segundo o economista, o transporte coletivo geralmente o maior vilão no aumento dos preços ao longo do anos sofreu uma redução. ''O impacto financeiro foi aborvido pela Prefeitura de Curitiba e não foi notado no bolso da população'', analisa Silva.
Com a redução da tarifa de ônibus em R$ 0,10 no ano passado e uma decisão municipal que baixou para R$ 1,00 o preço do transporte coletivo em dezembro, o segmento mudou de vilão para a menor variação do ano. Já os produtos responsáveis pelas maiores variações foram o pedágio, que sofreu aumento anual de 24,71%; a gasolina, com variação de 10,34% e a energia elétrica, com 9,63%. Mesmo ocupando o quarto lugar nesse ranking de variação de preços, no ano passado, o telefone também teve aumento significativo - 7,27%.


