O Natal é uma das melhores épocas para fortalecer laços e compensar os deslizes cometidos durante o ano. Entre patrões e empregados o símbolo dessa boa vontade é a cesta de alimentos que, para muitos, será a única opção de ceia. Na opinião do consultor Moacir Moura, é um pequeno investimento que vale a pena: ''O funcionário satisfeito é mais produtivo e comprometido com a empresa''.
Para que essa tradição sobrevivesse aos tempos de 'vacas magras' surgiram versões mais simples e menores onde o champanhe é substituído pela cidra, o peru por outra ave mais barata e as marcas mais famosas pelas estreantes. No rastro dessa tradição, nasceram empresas especializadas no comércio desse produto que é sucesso garantido em qualquer lugar. Segundo Moura, um dos segredos é a qualidade dos itens que devem ser de primeira para alcançar o efeito desejado.
Este ano, a Allpack, empresa de Maringá especializada na montagem de cestas de fim de ano, elaborou 10 modelos diferentes com preços que variam de R$ 16,95 a R$ 84,95. De acordo com o proprietário Wanderley Franceschini, muitas empresas entregam a cesta de Natal numa festa de confraternização entre as famílias dos funcionários. Apesar da grande concorrência, sua expectativa dessa vez é vender, no mínimo, a mesma quantidade comercializada em 2002.
Os supermercados levam vantagem nessa disputa pelo fluxo de pessoas que recebem diariamente. Na rede Muffato, por exemplo, o levantamento de preços começou há um mês e o resultado deverá estar nas lojas em 15 dias. Este ano, a empresa montou seis tipos de cestas em que a mais cara inclui até uisque e vodka. Segundo Glaucia Siqueira, atendente do departamento de televendas, a expectativa é vender 40% mais que o ano passado, mesmo depois do Natal. Para o gerente do supermercado Fatão Ademir Cirino, a procura pelo produto deve aumentar com o pagamento da primeira parcela do 13º salário. ''É um agrado que deixa lembranças positivas que refletem no relacionamento das pessoas'', resumiu.
Presentear com uma cesta de Natal também é costume de empresário para empresário e de empresário para clientes. Nesse caso, elas podem ser mais luxuosas e incluir itens importados no mix. O proprietário da Vinhos & Cia, Eduardo Valença, tem cestas a partir de R$ 50,00 e garrafas de vinho que custam R$ 2,6 mil. Assim como nos supermercados, sua loja também oferece a possibilidade de um produto personalizado. ''Nos últimos anos, a maior diferença sentida foi o aumento na exigência dos compradores. Eles querem mais qualidade mesmo que isso custe mais'', acrescentou.

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