Curitiba Os efeitos da estiagem sobre a produção agrícola brasileira continuaram provocando impacto no custo da cesta básica, em abril. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), divulgados ontem, a alta da alimentação essencial, em Curitiba, no mês passado, foi de 3,23%: o quarto aumento consecutivo, depois de quatro meses de deflação. Com esse resultado, a cesta acumula, no ano (janeiro a abril), variação de 10,12%, enquanto no mesmo do período de 2004, havia registrado queda de 1,82%.
A expectativa dos técnicos do Dieese era de uma variação menor, mas as altas nos preços do tomate (26,39%) e da batata (16,77%) surpreenderam. Caso os dois produtos tivessem acompanhado a inflação, a variação acumulada nos quatro primeiros meses ficaria próxima de 4%, lembrou Paulo Roberto Fier, da coordenação regional do Dieese. No ano, a batata já subiu 77,36% e o tomate 51,67%. O preço médio da batata, em abril, ficou em R$ 1,88 e o do tomate R$ 1,82. A manutenção dos preços no mês resultaria em uma variação bem menor: cerca de 0,19%.
A cesta básica de Curitiba voltou a ser a terceira mais cara do País (R$ 171,69) posição que havia ocupado em maio de 2004 , ficando atrás apenas de Porto Alegre (R$ 183,15) e de São Paulo (R$ 180,93). De junho do ano passado até março, Curitiba ocupava o quinto lugar entre as 16 capitais pesquisadas.
De acordo com o economista do Dieese Sandro Silva, a estiagem e a queda da temperatura atingiram os dois produtos vilões da cesta básica no início da safra, resultando na redução da oferta e consequente aumento dos preços. No caso da batata, além da quebra de 10% na produção paranaense, as más condições climáticas atrasaram a colheita. Até agora, 13% da área já foram colhidos, enquanto no ano passado a colheita já atingia 19% da safra.
Também apresentaram altas, em abril, o café (4,54%), feijão (4,31%), farinha de trigo (3,30%), leite (3,25%), açúcar (1,63%), arroz (0,59%) e óleo de soja (0,41%). A carne ficou estável e o pão, a banana e a manteiga tiveram quedas de 0,26%, 1,26% e 6,57%, respectivamente.
Sandro Silva estima que, em maio, a cesta básica volte a apresentar variação positiva, mas não arrisca um percentual. Segundo ele, dependerá muito do comportamento dos preços do tomate e da batata: se caírem bastante, poderá haver uma reversão da alta.

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