Curitiba - O preço da cesta básica calculada para uma pessoa registrou um reajuste de 22,52% em Curitiba no ano de 2008. Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o custo dos 13 itens da cesta em dezembro cresceu 0,61%, o que representa uma diminuição no ritmo de aumento.
''Durante o ano houve um aumento acentuado dos preços no primeiro semestre, seguido por uma queda em agosto e setembro e uma nova alta nos últimos três meses do ano'', explica o economista Sandro Silva, do Dieese. Para Silva, o aumento da cesta em 2008 é reflexo do aumento do consumo no mercado internacional e dos problemas climático. ''Os preços ainda não foram afetados pela crise econômica que se verificou a partir de novembro'', aponta.
''Caso as expectativas de inflação de 6,5% se confirmem, o aumento da cesta básica em Curitiba terá ficado 14% acima disso'', explica. Segundo Silva, o aumento no valor da cesta foi uma tendência em todas as 16 capitais pesquisadas durante o ano. ''De todas as praças em que fazemos o levantamento, nove apresentaram crescimento superior a 15%'', aponta.
Assim como em outubro e novembro, o vilão do reajuste no valor da cesta foi o tomate. ''O preço do tomate foi afetado pelas chuvas que atingiram regiões produtoras e pelo aumento do preço de adubos e fertilizantes que sofreram com o reflexo da alta do petróleo no início do segundo semestre'', analisa.
Em Curitiba, o preço do quilo do tomate subiu 24,44% em dezembro e foi de R$ 2,25 para R$ 2,80. A capital paranaense registrou o quarto menor aumento desse item entre as cidades pesquisadas. O maior reajuste aconteceu em João Pessoa (PB), onde o preço subiu 167% no mesmo período.
''A tendência é que em janeiro o tomate registre um recuo no preço uma vez que estamos no início da safra'', adianta Silva. Desde outubro, o quilo do tomate já acumula 60% de alta. ''Se o preço do tomato tivesse se mantido estável em dezembro em Curitiba, a cesta básica teria registrado um recuo de 1,56% no mês'', aponta.
Segundo o economista, em 2009 a tendência é que a cesta básica continue a registrar aumentos. ''Mas por causa da crise a expectativa é que os reajustos nos preços fiquem num patamar mais baixo que os de 2008'', prevê.
Os dados sobre o preço da cesta básica também apontam que em 2008 houve uma queda acentuada no poder de compra do trabalhador. Desde 1994 o país vinha registrando a manutenção ou queda no comprometimento médio do custo da cesta básica em relação ao salário mínimo. Esse índice chegou ao seu menor patamar em 2007, com 47,23%. Já em 2008 o custo da cesta comprometeu 53,34% da renda do trabalhador.

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