Cesta básica tem alta de 20% no ano em Londrina
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terça-feira, 05 de janeiro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O preço da cesta básica em Londrina fechou o ano com alta de 20,4%, puxada pelos aumentos de custos do tomate e da batata, além dos reajustes tradicionais para as festas de fim de ano. O valor variou levemente para cima e para baixo até outubro, quando começou a disparar devido, principalmente, a problemas climáticos, que afetam a produção de hortifrúti. Tanto que houve acréscimo de 9,4% no pacote básico em dezembro sobre novembro.
O levantamento é coordenado pelos professores de economia Marcos Rambalducci e Flavio Santos de Oliveira, em parceria com alunos da Faculdade Pitágoras. Depois de abrir o ano cotada em R$ 312,52, a cesta com 13 produtos para uma pessoa foi a R$ 344,35 em novembro e fechou em R$ 376,85 em dezembro. Para uma família com dois adultos e duas crianças, o valor ficou R$ 1.128,46.
Maior vilão no mês passado, o preço do quilo do tomate passou de R$ 4,21 para R$ 6,69, alta de 59%. O valor de dezembro foi o maior do produto no ano, e o menor ocorreu em setembro, com R$ 2,91. Os outros produtos com as maiores variações no último mês foram a batata (12,5%), o açúcar cristal (11,7%), o feijão (6,0%) e o óleo de soja (5,9%).
Técnico e ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, Eugenio Stefanelo afirma que a primeira safra de tomate e batata foi bastante prejudicada pelo excesso de chuvas aliado ao forte calor dos últimos três meses de 2015. Ele acredita que os preços devem voltar a cair somente no fim de fevereiro, com a chegada da segunda colheita às gôndolas e com a provável melhor situação climática. "A boa notícia é que a tendência nesse período é de no mínimo a manutenção do preço do tomate e da batata, porque estamos recebendo produtos de fora e, mesmo com o custo maior pelo frete, o valor é semelhante ao da baixa oferta", diz.
Para o coordenador da pesquisa e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) Marcos Rambalducci, é preciso lembrar que sempre há aumento do preço dos produtos em supermercados no fim de ano, devido ao maior consumo para o Natal e o Ano Novo. "Desta vez a majoração começou em outubro e se intensificou até dezembro pelas chuvas e pelas festas", conta.
Rambalducci aponta que, se fosse possível definir um preço médio para a cesta básica durante o ano, a variação seria de apenas 4,1%. "Em alguns meses do ano, como em setembro, o consumidor pagou até menos do que em janeiro. Para os próximos meses, o valor da cesta deve cair", prevê.
Como economizar
Se o consumidor pudesse comprar somente os produtos mais baratos na comparação entre os dez supermercados onde a pesquisa foi feita em dezembro, a economia chegaria a 20,3%. A cesta básica para uma pessoa custaria assim R$ 300,35 e para uma família, R$ 899,85, diz Rambalducci. Seriam R$ 228,61 a menos no pacote para quatro pessoas.
Outra estratégia apontada pelos economistas é substituir produtos cujos preços são reajustados devido a problemas sazonais ou climáticos. "Compete ao consumidor ter uma memória de preços em relação ao mês anterior e substituir ou excluir os que mais impactem no valor total", diz o coordenador da pesquisa.
No caso da carne, que correspondeu a 41% do preço da cesta londrinense em dezembro, o levantamento considera apenas o coxão mole, mas é possível fazer a troca. "Mesmo com possíveis altas pelo maior consumo de carne suína no fim do ano, o valor ficou estabilizado, assim como o de frango e o de leite. E deve continuar assim", explica o técnico da Conab.



