Curitiba - O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) informou ontem que o valor da cesta básica em Curitiba aumentou 13,48% em 2005. ''É um índice muito acima da inflação do ano, que deve ter ficado em torno de 5%'', apontou Sandro Silva, economista do Dieese. De acordo com pesquisas divulgadas na segunda-feira a projeção do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2005 - o índice oficial da inflação adotado pelo governo - ficou em 5,68%.
O aumento verificado na cesta básica no ano passado foi o maior desde 2002. Silva comentou que a alta no valor do kit na capital foi puxado por três produtos: a carne (variação de 9,46% no ano), a batata (61,32%) e o tomate (99,17%). ''O aumento dos preços da batata e do tomate foi provocado por fatores climáticos. Quanto à carne, houve muita especulação no setor a partir de setembro'', explicou o economista.
''Para se ter uma idéia da influência que teve o aumento dos preços da batata e do tomate, se os valores destes itens tivessem permanecido estáveis em 2005, o valor da cesta básica teria variado apenas 4,11%, patamar inferior à inflação'', disse Silva. Outro item que teve aumento considerável em 2005 foi o café (12,83%).
Três produtos tiveram grande queda de preço no ano passado e acabaram desacelerando o aumento do valor da cesta básica em Curitiba: arroz (diminuição de 25,57%), farinha de trigo (queda de 10,32%) e óleo de soja (diminuição de 22,43%). Ao final de 2005, a alimentação essencial mínima na capital custava R$ 530,76 para uma família composta de dois adultos e duas crianças.
A partir deste mês passa a valer uma lei estadual que isenta do Imposto sobre Circulação, Mercadorias e Serviços (ICMS) vários itens da cesta básica. Mesmo assim, Silva apontou que não deverá haver grande queda nos preços. ''Talvez alguns setores aproveitem para recompor margem de lucro. E haverá as variações de praxe nos preços dos produtos'', justificou o economista.
Apesar do aumento do valor da cesta básica em 2005, Silva salientou que o maior inimigo do bolso da família curitibana continua sendo outro. ''Em 1994, as tarifas públicas representavam 16% dos gastos de uma família brasileira. Hoje, representam 32%'', afirmou.

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