Arquivo FolhaA vilãA batata foi um dos produtos que contribuiu para a alta mensal: +48,9%A cesta básica calculada pelo Dieese em Curitiba apresentou um aumento de 3,3% em janeiro deste ano sobre o mês anterior. A variação positiva se repete pelo segundo mês consecutivo em um patamar considerado acima das previsões do Dieese. O aumento se equipara com o registrado em janeiro de 1996, quando a cesta básica ficou 3,8% mais cara. Na comparação anual dos produtos que compõem a alimentação básica de uma família, o aumento ficou quatro vezes mais alto em relação à inflação.
Nos últimos 12 meses (janeiro de 97 a janeiro de 98), a inflação média registrada foi de 4,3%. A cesta básica teve um reajuste de 16%, no mesmo período. ‘‘Isso mostra que os produtos alimentares deixaram de ser a âncora do Plano Real’’, avaliou o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Ele afirmou que o aumento da cesta básica acima da inflação reflete uma recuperação dos preços, que ficaram dois anos estagnados.
O aumento mensal do custo da cesta básica foi impulsionado por três produtos: batata (48,9%), café (16,4%) e manteiga (14,8%). Dos 13 itens pesquisados, nove ficaram mais caros, dois permaneceram invariáveis e dois tiveram queda no preço. A redução foi verificada no preço da carne (-2%) e no tomate (-11,2%).
A cesta básica pesquisada em Curitiba é mais cara do País entre as capitais, com um valor de R$ 102,95. Em segundo lugar está São Paulo com um custo de R$ 100. A composição mais barata está em João Pessoa com preço de R$ 72,56. Na variação mensal, Curitiba ficou em sexto lugar entre as capitais, onde mais aumentaram os preços. Belo Horizonte registrou o maior aumento, que ficou em 6,9% sobre dezembro. A menor variação foi em Florianópolis, onde houve deflação de 0,54%.
Um trabalhador precisa comprometer 85% do salário mínimo bruto (R$ 120) para poder se alimentar. O percentual apresentou aumento em relação a dezembro, quando uma pessoa teria que gastar 83% do salário para comer.

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