Cesta básica sobe 8% em Londrina
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quinta-feira, 06 de novembro de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
O valor da cesta básica em Londrina aumentou 8% nos últimos 30 dias, o que significa que atualmente são necessários R$ 141,62 para comprar o kit alimentação para uma pessoa e R$ 424,87 para uma família com dois adultos e duas crianças. O produto que mais pesou nessa conta foi o tomate que variou 115% no período. Este é resultado da pesquisa mensal realizada por alunos da Faculdade Metropolitana sob a coordenação do economista Flávio Oliveira dos Santos.
O segundo lugar no ranking dos inflacionados é do café que ficou 17,37% mais caro, seguido pelo óleo de soja (13,38%), batata (9,62%); carne bovina (6,01%), banana (5,69%) e a margarina (5.66%). ''No caso dos hortifrutigranjeiros, a alta pode ser atribuída à sazonalidade mas, no caso do óleo de soja, por exemplo, o motivo é a supervalorização do grão no mercado internacional'', explicou o economista.
Em contrapartida, alguns produtos sofreram uma ligeira queda como o açúcar cristal que baixou 10,35%, a farinha de trigo (- 6,67%) e o arroz tipo 1 (- 3,05%). O leite C (- 0,30%) e o feijão (0,30) tiveram alterações tão pequenas que foram classificados como estáveis, assim como o pãozinho francês que continua a custar R$ 0,25 a unidade nas padarias.
A opinião das donas de casa confirma a análise de Santos. Segundo ele, a variação nos últimos 30 dias foi a maior registrada durante o ano. Para a professora Luciane de Oliveira, o segredo da economia é trocar a marca de alguns produtos, controlar o uso do material de limpeza e aproveitar as promoções dos supermercados.
A psicóloga Madalena Lanssoni disse que a rotina de sua casa mudou nos últimos seis meses. Além de fugir do cheque especial, a família vem se esforçando para gastar apenas o necessário e evitar o desperdício. ''Assumi o controle da máquina de lavar e combinamos que as calçadas só serão lavadas uma vez por semana. Dessa forma, economizamos dinheiro e contribuimos com o meio ambiente''.
A costureira Terezinha Ribeiro dos Santos confessa dificuldade em trocar a marca dos produtos e a preferência pelo supermercado, mas garante ser adepta das promoções. Sua estratégia para fazer o orçamento render mais é associar o cardápio das refeições aos produtos de época. Para a empregada doméstica Ligia Muziol tudo subiu, embora lembre-se mais facilmente da carne e sabão em pó. Assim como as outras entrevistadas, ela também tem cortado os 'supérfulos' e não consegue entender a razão da disparada dos preços. ''Tá todo mundo reclamando'', enfatiza.
Nem o coordenador da pesquisa 'esperava um aumento tão grande' que, de acordo com ele, poderá ser aliviado se o clima ajudar a agricultura nos próximos meses. Mesmo em férias escolares, os alunos voluntários continuarão a realizar a pesquisa que é considerada uma atividade complementar às aulas.


