Curitiba - A alta do dólar e a entressafra de alguns produtos agropecuários tiveram reflexo desastroso sobre o custo da cesta básica em Curitiba. Em setembro, a ração alimentar essencial mínima apresentou variação de 4,37%, a maior do ano. O aumento registrado no mês passado foi suficiente para reverter a deflação registrada em janeiro (-3,92%), fevereiro (-0,84%), março (-1,22%) e maio (-0,32%).
Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) divulgados ontem, com o aumento, os itens básicos da alimentação de uma família curitibana de um casal e dois filhos passou a custar R$ 406,29. A alta acumulada no ano é de 3,64% e em 12 meses de 12,55%.
O tomate, com reajuste de 47,86%, o arroz (12,87%), o óleo de soja (10,95%) e a farinha de trigo (8,62%) foram os grandes responsáveis pelo aumento no custo da cesta básica. No caso do tomate, além do período de entressafra, a geada no início de setembro prejudicou as lavouras tanto paranaenses como de São Paulo, de onde vem boa parte do que o Paraná consome.
A alta do óleo de soja está atrelada à variação cambial e da quebra da safra americana, que acabou puxando a cotação internacional para cima. As quebras na produção do trigo em vários países e mais recentemente no Brasil, aliada à alta do dólar, determinaram o aumento do preço da farinha.
Também apresentaram variação positiva em setembro o café (6,27%), a carne (5,49%) e o pão (0,91%). Os produtos que tiveram queda nos preços foram a banana (-14,75%), a batata (-10,38%), a manteiga (-4,59%), o feijão (-3,44%), o leite (-2,99%) e o açúcar (-2,38%).
A expectativa, segundo o economista do Dieese, Cid Cordeiro, era de que neste segundo semestre não houvesse tanta pressão sobre a inflação, já que a maioria dos preços administrados teve reajuste no primeiro semestre. A desvalorização do real, porém, está afetando os preços dos produto agrícolas, o que deve continuar impactando sobre o custo de vida do curitibano nos próximos meses.

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