Cesta básica sobe 2,67% em Curitiba
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de março de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba O preço da cesta básica em Curitiba continuou a subir em fevereiro, contrariando a expectativa de queda. O valor dos produtos básicos atingiu R$ 158,24, o que representa uma variação de 2,67% no mês, de acordo com dados divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Pela primeira vez em nove meses, o vilão da alta não foi o dólar, mas sim os hortifrutigranjeiros, prejudicados pelas fortes chuvas das últimas semanas e pela redução da área de plantio.
''Já era para ter se iniciado um movimento de queda dos preços dos alimentos'', afirmou o economista técnico do Dieese, Cid Cordeiro. Segundo ele, como a cesta básica teve uma alta expressiva no segundo semestre de 2002, de 22%, era esperada uma redução nos primeiros meses deste ano. A variação da cesta este ano é de 3,98%.
O item com maior variação em fevereiro foi a batata. Subiu 42,48%, sendo que em janeiro já havia apresentado alta de 9,71%. De acordo com Cordeiro, a produção de batata vem caindo. ''O preço pago ao produtor foi muito reduzido na última safra, o que desestimulou o plantio'', relatou. As chuvas constantes das últimas semanas também prejudicaram a colheita, mesma situação observada no caso do tomate, cujo preço aumentou 24,74%, em plena época de safra.
O terceiro produto com maior variação foi o café, com 4,09%, seguido pelo pão (2,24%), leite (1,94%), manteiga (1,74%), carne (1,35%) e arroz (0,63%). O valor do açúcar não teve alteração pelo segundo mês consecutivo. Tiveram redução de preço principalmente a banana (-10,77%) e o feijão (-8,83%), por causa da entrada da safra desses produtos.
Também baratearam a farinha de trigo (-4,71%) e o óleo de soja (-3,55%). Esses itens foram os principais responsáveis pela alta na cesta básica do ano passado (16,46%), por causa da variação cambial e pelo aumento da cotação internacional do trigo e da soja. ''Esperávamos uma queda ainda maior, porque no final do ano passado o dólar já vinha caindo bastante e os preços internacionais estavam se estabilizando. Mas por causa de uma retomada da taxa de câmbio, a queda não foi tão expressiva'', relatou o economista Sandro Silva.
Todas as 16 capitais pesquisadas pelo Dieese tiveram aumento no valor da cesta básica. O valor da cesta em Curitiba é o quarto maior entre essas cidades. O trabalhador que recebe um salário mínimo em Curitiba tem 79,12% de sua renda comprometida com a alimentação, de acordo com o Dieese. Em fevereiro do ano passado, o comprometimento era de 69,17%.


