Curitiba - A variação da cesta básica, em Curitiba, medida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), foi de 1,79% no mês de outubro. Esse aumento é resultado da influência do período de entressafra dos alimentos associado à variação cambial. Com isso, a cesta básica já apresenta uma variação de 5,49% no período janeiro a outubro e de 8,24% nos últimos 12 meses.
Em outubro, os produtos que mais pesaram no índice da cesta foi a banana, com variação de 18,33%; da farinha de trigo, com alta 15,34%; do arroz, com alta de 10,53%; do açúcar, com aumento de 9,76% e do pão, com aumento de 8,76%. O tomate que foi o vilão da cesta do mês de setembro, quando apresentou variação de 48%, no mês passado ficou na lanterninha da cesta, com queda de 16,76% em outubro.
Com a variação de outubro, a cesta básica de Curitiba volta a ocupar o terceiro lugar no ranking das capitais mais caras do País. O valor da cesta básica na capital paranaense foi calculado em R$ 137,85, superada somente por pelas cidades de São Paulo e Porto Alegre. Em variação no mês de outubro, a cidade de Curitiba foi classificada em sétimo lugar no ranking das capitais. Outras seis capitais apresentaram variação de preços superiores aos apresentados em Curitiba.
O coordenador do Dieese, Miguel Amilton Gawloski, chamou a atenção para a inversão no comportamento dos índices da cesta básica esse ano. Segundo ele, a cesta vinha apresentando deflação de 4,61% no período janeiro a junho, com queda no preço dos alimentos. A partir de julho, quando intensificou a valorização do câmbio, o custo da cesta vem apresentando altas seguidas. Segundo Gawloski, a indústria da alimentação vem incorporando o aumento do dólar no preço dos seus produtos. Mesmo com a deflação registrada no primeiro semestre, a cesta básica já acumula uma alta de 5,5% este ano.
O aumento da cesta básica, por sua vez, está pressionando os índices de inflação. Até agora, somente a indústria da alimentação e as empresas que administram as tarifas públicas conseguiram repassar integralmente o aumento da variação cambial. Os segmentos do transporte e de medicamentos começam agora a repassar para os preços o aumento do dólar. Diante disso, o cenário da inflação para o mês de novembro é sombrio.
Só com o aumento dos combustíveis, já anunciados ontem, e o aumento do gás o Dieese já calcula um impacto de 0,74% no índice de inflação do mês de novembro. Se por uma lado, espera-se um alívio na movimentação do câmbio, por outro o impacto decorrente dessa movimentação nos últimos quatro meses continuam pressionando os índices de inflação, avaliou o analista do Dieese Cid Cordeiro.

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