Cesta básica sobe 1,71% em Curitiba
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de fevereiro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O preço dos alimentos surpreendeu em janeiro e impactou no valor da cesta básica, que subiu 1,71% em Curitiba. Os produtos que puxaram a alta, principalmente a banana, farinha de trigo e manteiga, não tinham motivos para subir tanto de preço, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que divulgou a pesquisa ontem. A expectativa do órgão era de que houvesse um pequeno aumento ou até deflação na cesta básica, como ocorre historicamente em janeiro.
Com este aumento, o valor dos alimentos básicos atingiu R$ 154,78. Em comparação com outras capitais, a cesta em Curitiba não aumentou muito. No Nordeste, que tem grande afluxo de turistas no verão, é que ocorreram as maiores altas: 10,9% em Fortaleza e 5,51% em Aracaju. Mesmo assim o índice de Curitiba é considerado alto. ''A gente imaginava que o primeiro mês do ano seria de estabilidades e por isso ficamos surpresos'', afirmou o coordenador regional sindical do Dieese, Adilson Stuzata. Em janeiro de 2002, o preço da cesta básica caiu 3,92%.
O item que teve o maior aumento da cesta básica foi a banana, com 27,47%, sendo que a fruta já havia registrado alta em dezembro de 13,9%. ''Não é comum haver aumento nos dois meses consecutivos'', afirmou o economista técnico do Dieese, Cid Cordeiro. Segundo ele, o aumento das exportações da fruta em 2002 (variação de 120%) pode ter influenciado a alta. ''Mas mesmo assim estamos no pico da safra'', ponderou.
A farinha de trigo, que aumentou 120% em 2002, subiu 21,6% em janeiro, mês em que o preço do trigo no mercado mundial não sofreu variação. A manteiga subiu 13,85%. ''Esses aumentos não têm relação com o preço pago ao produtor, nem com preços internacionais e por isso não há justificativa para terem ocorrido'', explicou Cordeiro. Essa mesma situação foi observada no óleo de soja e café, com alta de 9,54% e 3,44%, respectivamente.
Entre os itens que sofreram redução de preço estão o tomate (-14,16%), por causa da entrada da safra paranaense, e a carne (-2,88%). A tendência é que entre fevereiro e junho ocorra queda no preço dos alimentos, mas mesmo assim esses produtos devem continuar pressionando a inflação. Essas perspectivas podem mudar, dependendo do desenlace do conflito entre Estados Unidos e Iraque. ''Se ocorrer uma guerra rápida, os preços dos alimentos já estão embutidos desse risco, mas se for um conflito mais prolongado, provavelmente teremos impacto cambial'', completou.


