Cesta básica recua pelo terceiro mês
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quinta-feira, 03 de agosto de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A cesta básica de Curitiba fechou julho com recuo de 1,39% e já acumula três meses de queda consecutiva. Outra boa notícia é que no mês passado os gastos com os produtos da cesta comprometeram 45,10% do salário mínimo. Este foi o menor porcentual de comprometimento desde que iniciou a pesquisa da cesta realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos em 1983. Em 1990, os 13 itens que fazem parte da cesta comprometiam 97% do salário mínimo.
No ano, a queda do valor dos alimentos foi de 10,77% e nos últimos 12 meses de 3,28%. Em julho, o custo da cesta para uma família formada por um casal e duas crianças foi de R$ 473,58. Os produtos que puxaram a queda do índice foram o tomate que caiu 8,40% e a carne com redução de 4,64%.
O supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, informou que, no ano, o tomate já caiu 54%. Em julho, a queda foi motivada pelo aumento da oferta do produto, pelo adiantamento da safra e pela ausência de baixas temperaturas. No caso da carne, com o pasto seco devido a estiagem, os pecuaristas adiantaram os abates para o gado não perder peso, o que aumentou a oferta. As restrições na importação por parte de vários países também fizeram aumentar a quantidade de carne no mercado interno.
Além destes dois produtos, também tiveram queda o café (-4,25%), o leite (-2,53%), o feijão (-2,16%) e a batata (-89%), o açúcar (-0,63%) e a manteiga (-0,51%). O óleo de soja permaneceu estável. Os produtos que mais subiram foram a banana (14,75%), a farinha de trigo (3,45%) e o arroz (2,90%). Outro item que ficou mais caro foi o pão (1%).
Das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese, 14 tiveram queda no valor da cesta básica. Apenas Porto Alegre e São Paulo fecharam julho com aumento de 1,60% e 0,81%, respectivamente.
Como os alimentos vêm apresentando queda, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) também tem caído. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 2,9%. Como o INPC é usado para as negociações salariais, Cordeiro acredita que vai gerar descontentamento entre os trabalhadores. Hoje um salário médio de R$ 900 do paranaense teria um aumento de apenas 27% com este porcentual. Por outro lado, com a queda dos alimentos, há a aposta de uma economia mais aquecida no segundo semestre que também será motivada pela expansão do Bolsa-Família e pelo aumento da renda.


