Cesta básica mais cara do País é a de Curitiba
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
A pesquisa mensal do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) colocou Curitiba como a capital cuja cesta básica é a mais cara do País. O valor dos 13 itens, que compõem a cesta básica, fechou em R$ 92,42, superando em R$ 1,28 a cesta básica da cidade de São Paulo. A capital paranaense vinha ocupando a segunda colocação há cinco meses. Entre os meses de agosto e setembro houve um aumento de 1,24% no preço final dos produtos em Curitiba.
A variação foi a quarta maior em relação às demais capitais. A cidade que teve a maior elevação foi Recife com 2,07% e a que apresentou a maior queda foi Belo Horizonte com 2,4%. Já o trabalhador da cidade de Fortaleza pagou R$ 65,00 para comprar a mais barata cesta básica do País. O preço é R$ 27,00 mais baixo do que Curitiba.
A pesquisa do Dieese é feita todos os meses no comércio varejista curitibano. São pesquisados os produtos em supermercados, feiras livres, açougues e padarias ao longo das quatro semanas. No mês de setembro, o item que contribuiu para puxar os números para cima foi a batata. O aumentou foi de 36,5%. Com o fim do período de colheita, caiu a oferta e o preço subiu exageradamente, afirmou o coordenador técnico do Dieese, Cid Cordeiro. Se a batata fosse desconsiderada do cálculo, a cesta básica teria uma variação negativa de 0,27%.
Desde o começo do ano, os índices da cesta básica têm acompanhado a inflação. De janeiro até setembro, os produtos acumularam um aumento de 4,61%. A inflação foi de 3,45%, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e de 4,89%, pelos dados do IGP (Índice Geral de Preços) da Fundação Getúlio Vargas.
A coincidência nos números até agora faz os economistas do Dieese acreditarem que haverá uma queda do preço da alimentação básica nos próximos três meses. Desde o Plano Real, os alimentos têm ficado bem abaixo da inflação, afirmou Cordeiro. No ano passado, a cesta básica fechou o ano com uma queda de 2,08%, enquanto a inflação registrada pelo INPC foi de 9,12%.
O levantamento do Dieese mostra que a inflação acumulada é de 64,31% desde o início do Plano Real. Já os alimentos tiveram aumento de 35,62%. Os dois números são baseados no INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O que impulsionou a inflação para cima foram os itens habitação, com um aumento de 194,42%, e transporte, com 83,65%.
Pelos números de setembro, um trabalhador está gastando 77% do salário mínimo para se alimentar. De um salário de R$ 120,00, a cesta básica consome R$ 92,42. O percentual médio de comprometimento é de 79,37%, um dos mais baixos deste 1993.


