Em 2001, a cesta básica em Londrina custava R$ 315,16 para alimentar uma família de quatro pessoas. Dez anos se passaram e, para alimentar o mesmo núcleo familiar com os mesmos produtos, o valor é de R$ 675,90, um aumento de 114,5% no período. Os números são de pesquisa realizada pelo economista Flávio Oliveira de Santos, que neste mês completa uma década de avaliação dos preços de 13 ítens que fazem parte da mesa do consumidor brasileiro.
De acordo com o Índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC), a inflação acumulada no período foi de 98,14%. De todos os ítens da pesquisa, cinco sofreram aumento acima da inflação. Entretanto, o reajuste do salário mínimo foi de 202%, passando de R$ 180 para R$ 545. ''Antes, com um salário mínimo, era possível comprar 1,71 cesta básica. Agora, seria possível adquirir 2,42 cestas para quem teve um reajuste salarial de 202% no período, o que geralmente não acontece para quem ganha mais de um salário. O poder de compra do brasileiro é muito pequeno'', ressalta o professor.
Os produtos responsáveis pela a ascensão destes valores entre 2001 e 2011 são a banana, que aumentou 151,65%, o açúcar (172,12%), o óleo (184,63%) e o tomate, com o número astronômico de 237,71%. Só como análise comparativa, o preço médio de um quilo da fruta há dez anos era R$ 0,99. Hoje, sai por R$ 3,36. Já a carne, que representa entre 40% e 45% da cesta, é a grande vilã do consumidor em todos estes anos. Ela subiu 156%, mas como tem peso maior, acaba influenciando mais. Um quilo de coxão mole em maio de 2001 saía por R$ 5,88, e agora é econtrado por R$ 15,06.
Na opinião da aposentada Júlia Figueiredo, não há dúvidas que a carne é que pesa de forma mais substancial na hora das compras. Ela comenta que com outros produtos, como de limpeza, por exemplo, é possível fazer ''alguns truques de dona de casa'', o que não acontece com a carne. ''Moro em casa com mais cinco pessoas, e com a carne não dá para fazer milagre. O pessoal gosta e não tem como ficar sem. Vou ao supermercado todos os dias e gasto pelo menos R$ 30 por vez. Antes, era bem mais em conta'', ressalta Júlia, que frequenta o mesmo supermercado há 14 anos. ''Os outros aqui perto são mais caros'', comenta.
Já para a professora Denise Espiridião, o arroz, o feijão e a carne subiram demais nos últimos meses. Ela explica que são produtos essenciais no dia a dia. ''O preço dos produtos de limpeza também estão altos. O pior é que a gente acaba sacrificando os supérfluos. Antes comprava variedade de bolachas, um bom vinho para o final de semana e hoje temos que ficar sem''. Denise diz que faz compras com volume grande e tenta economizar fazendo pesquisa de preços. ''Fico de olho nas ofertas e sempre acabo economizando entre R$ 80 e R$ 100. Acho que a inflação está pegando novamente e o governo não está conseguindo segurar'', completa.

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