Cesta básica em Londrina acumula alta de 15% no 1º semestre
De maio para junho, preço da cesta subiu 1,41% e chegou a R$ 731,47; arroz, banana e feijão registraram os maiores aumentos
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terça-feira, 30 de junho de 2026
De maio para junho, preço da cesta subiu 1,41% e chegou a R$ 731,47; arroz, banana e feijão registraram os maiores aumentos

O cálculo do preço da cesta básica em Londrina no primeiro semestre de 2026 confirmou o que os consumidores constatam a cada vez que passam suas compras pelo caixa do supermercado. Desde janeiro, o conjunto de 13 itens que compõem a cesta acumula alta de 15%. O valor médio, que em 1º de janeiro era de R$ 636,10, encerrou junho cotado a R$ 731,47. O índice de aumento registrado de janeiro a junho ficou bem acima do projetado para a inflação do período, de 3,45%, medida pelo IPCA 15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
O levantamento é feito mensalmente pelo NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas) da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). Segundo o coordenador do núcleo, o economista Marcos Rambalducci, os resultados do primeiro semestre acendem um sinal de alerta aos consumidores, que podem esperar por novos aumentos nos próximos meses, com reflexos em outros setores da economia local.
Vários fatores colaboraram para a alta acumulada de 15% desde o início do ano, apontou o coordenador do NuPEA. O clima teve um papel importante, impactando os preços dos hortifrutis, principalmente, os do tomate e da batata. “Tomate e batata registraram aumentos muito expressivos entre março e maio por causa da redução da oferta. Mesmo com a queda dos preços em junho, eles continuam entre os produtos que mais contribuíram para o aumento da cesta no semestre”, avaliou.

Rambalducci destacou ainda a variação do preço da carne bovina, que representa quase 42% do valor total da cesta básica. “Qualquer reajuste acaba pesando bastante no resultado final. Além disso, o bom desempenho das exportações brasileiras manteve os preços internos em um patamar elevado”, comentou.
Também entram na conta a alta dos custos de produção, o aumento do petróleo, intensificado pelos conflitos no Oriente Médio e que pressionou os preços dos combustíveis, transporte e fertilizantes utilizados no Brasil. “Esse efeito ainda deve ser mais sentido no segundo semestre, mas já contribuiu para manter um ambiente de custos mais elevados em toda a cadeia de alimentos”, disse o economista. “Na prática, isso significa que uma parcela cada vez maior do orçamento está sendo destinada à alimentação. Quando isso acontece, sobra menos dinheiro para o consumo de outros produtos e serviços, o que acaba refletindo também na atividade do comércio e da economia local.”
O NuPEA observou uma queda de 3,65% no poder de compra do salário mínimo no primeiro semestre deste ano, comparado aos primeiros seis meses de 2025. Ou seja, a quantidade de cestas básicas que o piso salarial conseguia comprar no ano passado era quase 4% maior do que neste ano.
Junho
A pesquisa mensal do NuPEA considera a média de preços calculada após visita a 11 supermercados de Londrina, distribuídos em todas as regiões da cidade. Em junho, o valor final da cesta chegou a R$ 731,47, alta de 1,41% sobre maio, quando a cesta foi cotada a R$ 721,31.
A comparação de junho de 2026 com o mesmo mês do ano passado, aponta alta de 14,14%. Em junho de 2025, a cesta básica em Londrina custava R$ 640,85. No acumulado dos últimos 12 meses, a cesta básica registrou aumento de 13,46%.
Embora os hortifrutis tenham puxado para cima o preço da cesta básica no primeiro semestre, na lista de alimentos que tiveram redução em junho se destacam a batata e o tomate. A batata sofreu a maior retração, com queda de 8,9% sobre maio, e o tomate baixou 1,1%. O outro produto que ficou mais barato foi o café, com variação negativa de 1,6%.
Entre os produtos que registraram alta, o maior aumento foi o do arroz, que ficou 8,9% mais caro, seguido pela banana, que aumentou 7,3%, e o feijão, que teve alta de 5,0%.
A carne, o alimento com maior peso no preço final da cesta básica, apresentou elevação de 3,1% ante maio. Em junho, a proteína representou 41,7% do valor total da cesta. O corte usado como referência é sempre o coxão mole, fatiado ou em peça, dependendo do que estiver mais em conta.

Na média, o quilo da carne foi cotado a R$ 46,22 contra R$ 44,82 na pesquisa realizada no último mês de maio. Os preços em junho variaram entre R$ 39,90 e R$ 54,90.
Na relação de alimentos que subiram de preço figuram ainda o açúcar (+2,7%), a farinha de trigo (+2,1%) e o óleo de soja (+1,2%).
Os preços da margarina, do leite e do pão tiveram aumento de até 1% e foram considerados estáveis, mostrando que o café da manhã pesou pouco no bolso dos consumidores londrinenses em junho.
Os R$ 731,47 são o valor médio, mas dependendo do estabelecimento escolhido pelo consumidor para realizar suas compras, ele poderá fazer uma economia de 11,5%, pagando R$ 647,17, ou gastar 10,3% a mais para levar para casa os mesmos produtos, desembolsando R$ 806,61.
Presidente da UFA (União dos Feirantes e Amigos), Silvio Costa observa um comportamento diferente nos preços dos hortifrutis nos últimos meses. Aumentos, disse ele, são comuns e estão relacionados à sazonalidade dos produtos. Quando a oferta diminui, o preço aumenta, mas quando o volume de produção se estabiliza, os preços voltam a se acomodar. No entanto, apontou o feirante, nos últimos meses o recuo esperado não veio. “A alta dos preços é de época. Todos os anos, o tomate sobe, vai nas alturas, mas depois, desce de novo. Só que neste ano não caiu. Uma hora é a chuva, outra hora, a seca, o frio. Está preocupante. Os hortifrutis têm subido bastante e não têm voltado”, ressaltou Costa.

Nesta terça-feira (30), o preço do quilo da batata monalisa nas barracas dos feirantes estava em torno de R$ 10,90 e da batata asterix, R$ 12,90. “A cebola subiu bastante, o feijão também subiu bem. A esperança é que com o fim da guerra no Oriente Médio o preço do combustível caia e os preços dos alimentos diminuam também”, disse o presidente da UFA.
Enquanto esse movimento não acontece, a orientação do feirante ao consumidor é utilizar o velho recurso de negociar os preços com o vendedor e aproveitar a xepa para garantir as melhores ofertas. “Na feira, tem muito o negócio da pechincha e também no fim da feira sempre são feitas promoções.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


