Cesta básica em Curitiba subiu 11,46% no ano passado
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terça-feira, 08 de janeiro de 2008
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Acompanhando uma tendência nacional, o valor da cesta básica em Curitiba fechou 2007 em alta, subindo no total 11,46% ao longo do ano. Apesar de representar mais do que o dobro da inflação estimada para o ano passado, o percentual de aumento foi o mais baixo registrado nas 16 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza a pesquisa mensal de preços dos alimentos. Segundo o levantamento, a batata e o feijão foram os principais responsáveis pelo índice elevado.
Em dezembro, os 13 produtos que compõem a cesta básica apresentaram aumento global de 1,04% em Curitiba. O índice foi puxado especialmente pelo preço do feijão, que subiu 24,64% em relação ao mês anterior. ''Para dezembro, tínhamos a expectativa de uma queda no valor da cesta básica, até pelo início das safras do tamate e da batata, cujos preços baixaram, mas outros produtos compensaram essa queda'', explica o economista do Dieese Sandro Silva. Um aumento de 12,45% no preço do óleo de soja e de 8,08% no valor da carne também contribuíram para a alta.
Como já vinham sendo registrados aumentos desde agosto, a cesta básica em Curitiba encerrou 2007 com alta de 11,46%. O número supera em mais de duas vezes a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que deve fechar o ano em torno de 4,5%. ''A alimentação é um dos principais fatores que pressionaram a inflação no ano passado'', afirma Silva. Os produtos cujos preços mais subiram ao longo do ano foram a batata (82,5%) e o feijão (57,14%). De acordo com o economista, a alta geral se deveu a três motivos principais: fatores climáticos, como longas estiagens; aumento da cotação de alguns produtos agrícolas tanto interna quanto externamente; e a questão cambial.
Para Silva, o fato de o Paraná ser um dos principais produtores de alimentos do País contribuiu para que o aumento da cesta básica em Curitiba não fosse ainda maior. Tanto que a cidade apresentou o menor índice de reajuste entre as 16 capitais pesquisadas pelo Dieese. A variação dos preços em 2007 chegou a ser de 24,21% em Goiânia e de 24,38% em Aracaju.
Com isso, em dezembro, Curitiba tinha a 10 cesta básica mais cara do País, custando R$ 187,23. Para 2008, Sandro Silva espera que os preços, caso não diminuam, ao menos apresentem altas mais modestas.
Capitais
A cesta básica encerrou o ano de 2007 registrando alta acima do reajuste do salário mínimo (8,57%, em abril) em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Dieese. Os aumentos ficaram entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju.
Em São Paulo, o kit básico subiu 17,90% durante o ano de 2007 e manteve-se como o mais caro do País pelo segundo mês consecutivo e em dezembro passou a valer R$ 214,63. Em seguida, as cestas básicas com preços mais altos no Brasil são as de Porto Alegre (R$ 212,92) e Belo Horizonte (R$ 204,80). As mais baratas foram encontradas em João Pessoa (R$ 155,09) e Recife (R$ 155,41).
Segundo cálculo realizado pelo Dieese, com base no valor da cesta básica paulistana, o salário mínimo deveria corresponder a R$ 1.803,11 em dezembro para suprir todas as despesas de um trabalhador e sua família relativas a alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, conforme estabelece a Constituição. O valor é 4,75 vezes maior que o atual mínimo (R$ 380) e quase R$ 80 mais caro que o necessário em novembro (R$ 1.726,24).(Com agência)


