Cesta básica, em Curitiba, sobe 9,29 em novembro
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba O custo da cesta básica, em Curitiba, subiu 9,29% em novembro, registrando a maior variação dos últimos sete anos. Aumento superior a esse ocorreu em abril de 1995, quando os principais itens da alimentação subiram 12,13%. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), divulgado ontem, uma família curitibana (um casal e duas crianças) passou a gastar R$ 451,95 com a alimentação.
No ano, a cesta básica acumula variação de 15,29% e, em 12 meses, de 16%. O aumento registrado entre julho e novembro (20,86%) é superior ao acumulado do ano, já que no primeiro semestre houve deflação de 4,61%. Somente nos últimos três meses, a variação foi de 16,11%.
A variação da cesta em Curitiba só foi menor que a do Rio de Janeiro (RJ), onde o índice chegou a 9,89%. O custo da alimentação para um trabalhador (R$ 150,65) é o terceiro mais caro entre as 16 capitais pesquisadas. Porto Alegre (RS), onde a cesta básica custa R$ 161,58, ocupa a primeira posição, seguido de São Paulo, que registra custo de R$ 154,74.
Os aumentos nos preços do açúcar (35,56%), farinha de trigo (18,35%), carne (14%), tomate (13,89%), pão (11,67%), café (10%) e óleo de soja (8,40%) foram os grandes responsáveis pela variação recorde no custo da cesta básica. Também tiveram reajuste o feijão (4,51%), leite (4,17%) e arroz (3,97%). Os únicos produtos que apresentaram queda foram a batata (-3,03%), manteiga (-4,18%) e banana (-6,50%).
O coordenador do Dieese no Paraná, Miguel Amilton Gawloski, avalia que o substancial aumento no açúcar é decorrente da forte demanda de alguns mercados e queda de produção em alguns países. Esses fatores influenciaram o aumento na cotação internacional do produto, o que motivou os produtores nacionais a exportarem mais, reduzindo a oferta do açúcar no mercado interno.
No caso da farinha de trigo e do óleo de soja os aumentos também são explicados pela desvalorização do câmbio e cotação internacional. Segundo Gawloski, o período de entressafra e o aumento no preço dos insumos agrícolas elevaram o preço do tomate. No caso do café, os produtores procuraram recuperar preço, que vinha se mantendo estável e chegou a apresentar queda este ano.
Para o economista do Dieese, Cid Cordeiro, os produtores de carne estão ''aproveitando a onda de aumento'' para realinhar os preços em relação ao câmbio e aumentar a margem de lucro.


