Cesta básica em Curitiba sobe 3,54%, o maior índice do ano
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quinta-feira, 01 de agosto de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A cesta básica teve um aumento de 3,54% em Curitiba, no mês de julho, atingindo o maior índice deste ano. Essa variação interrompe o ciclo de deflação no preços dos alimentos que vinha se verificando durante todo o primeiro semestre. Até o mês de junho, o custo da cesta básica apresentava deflação de 4,61% - informou o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Sócio-Econômicos (Dieese).
No acumulado deste ano, porém, os preços dos alimentos da cesta básica ainda apresentam deflação de 1,23%. Para o Dieese, a deflação foi provocada pelo reajuste excessivo ocorrido no ano passado, em torno de 20%. E também pelo crescimento do desemprego e queda no nível de renda do trabalhador, situações que têm inviabilizado o repasse de aumentos de custos.
Contribuíram para o reajuste da cesta básica em julho as altas de 15,82% no preço do feijão, 15,57% no óleo de soja e 14,40% no tomate. Também estão pressionando os índices os aumentos nos preços do pãozinho, leite, batata e farinha de trigo.
Para o segundo semestre, os preços dos alimentos devem impactar os índices inflacionários, o que não ocorreu no primeiro semestre e que deu espaço para o governo aumentar as tarifas públicas. Cordeiro adiantou que os preços do óleo de soja, pão e farinha de trigo devem continuar pressionando os índices neste mês de agosto e com isso a deflação da cesta básica tende a ser zerada.
A preocupação daqui para frente é com o repasse dos efeitos da desvalorização cambial. Cordeiro disse que ainda é cedo para os setores repassarem para os preços o aumento para o dólar, porque a moeda norte-americana não tem um patamar definido. O economista do Dieese destacou que a tendência para os preços dos alimentos é de recuperação neste segundo semestre, apesar da demanda que ainda está muito fraca. Para Cordeiro, é esperado um aumento no preços dos alimentos nos próximos meses, embora ele acredite que o índice de variação da cesta básica deva ficar abaixo da inflação, em função da dificuldade de repasse de preços.


