Cesta básica é prioridade do Pronaf no PR
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quinta-feira, 17 de julho de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Financiar a produção dos alimentos da cesta básica e do leite e aumentar o volume de recursos destinados a investimentos nas propriedades rurais estão entre as prioridades do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) no Paraná. A afirmação é do secretário executivo do programa no Estado, Reni Antônio Denardi. Ele participou ontem, em Londrina, de uma reunião técnica para esclarecer as normas do programa.
O governo federal liberou R$ 5,4 bilhões para financiar a agricultura familiar brasileira no ano safra 2003/2004, que começou no último dia 1º de julho. No Paraná, um dos desafios das instituições e entidades ligadas ao pequeno produtor rural é aumentar de R$ 300 milhões para R$ 450 milhões o volume de recursos captados. Com esse montante, será possível contemplar 130 mil contratos, ante a média de 100 mil nos anos anteriores.
Um dos objetivos do governo é aumentar o financiamento de investimentos. ''É o setor que tem maior demanda não atendida'', disse Denardi. Conforme o secretário, o objetivo é que os investimentos representem de 40% a 50% do volume de recursos captados. O incentivo visa permitir que os pequenos produtores agreguem tecnologia e mudem o sistema de produção, dando um ''salto de qualidade''.
Entre as novidades para esse ano, ele destaca as linhas para produtos específicos. Produtores de arroz, feijão, mandioca, trigo e milho poderão conseguir até 30% a mais de recursos. ''São produtos da cesta básica, importantes para viabilizar o programa Fome Zero'', esclareceu. O mesmo vale para o leite, cuja demanda aumentará, segundo Denardi, por causa do programa estadual Leite das Crianças.
Famílias com projetos de mulheres de agricultores e jovens egressos de escolas agrícolas, ou com ações de agroecologia, terão até 50% a mais disponíveis. Outra novidade é o Proger Rural Familiar, que contemplará produtores familiares com renda entre R$ 40 mil e R$ 60 mil anuais.
Nesta safra, o agricultor não precisará ir ao banco para viabilizar o financiamento. Mário Augusto Cruz, analista técnico rural do Banco do Brasil (BB) na região de Londrina, explicou que a contratação poderá ser feita via Emater. O recurso ficará disponível através do cartão de agricultura familiar, com validade de seis anos.
''O produtor só precisará renovar o cadastro depois de seis anos. Antes disso, o crédito será liberado automaticamente se o empréstimo anterior for pago em dia'', comentou, lembrando que o cartão permite fazer saques em caixas eletrônicos ou pagar compras em cooperativas e empresas que possuam máquina para débito automático.
O pequeno produtor Olímpio Cândido da Silva Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Londrina, aprovou as novidades mas está preocupado com os agricultores que acabam excluídos do crédito porque não são correntistas de bancos ou não possuem garantias para avalizar o negócio. ''Espero que melhore para esse pessoal'', comentou.


