Cesta básica é a menor em 15 anos em Curitiba
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A cesta básica encerrou o ano 7,65% mais barata do que foi o seu começou em 2009 na Capital paranaense. O custo da chamada ração alimentar essencial mínima caiu 4,86% entre os meses de novembro e dezembro, fechando 2009 a um custo de R$ 211,85 para o trabalhador. Foi a maior queda registrada na Capital desde 1995, após a estabilidade do plano real. Em relação às demais capitais analisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Curitiba teve a oitava maior redução no custo da cesta básica ao longo do ano e encerrou 2009 na oitava posição em relação ao valor dos produtos.
O feijão teve a maior variação negativa nos doze meses, ficando 48,28% mais barato em Curitiba. Em compensação, o preço do açúcar subiu 56,20% entre 2008 e 2009. Na comparação entre os dois últimos meses do ano, o tomate foi o produto que apresentou a maior redução de preço (-24,26%), seguido da batata (-17,51%) e do leite (-3,66%). Apenas dois produtos tiveram alta no preço. A soja subiu 2,12% entre novembro e dezembro e o arroz 1,8%. No entanto, para o economista do Dieese, Sandro Silva, apesar das quedas expressivas, alguns produtos, como o tomate e a batata, continuam acima de seu patamar normal de preço.
O Dieese destaca que os produtos de maior importância do ponto de vista da população, o feijão e arroz, tiveram queda em todas as capitais pesquisadas entre dezembro de 2008 e 2009. Já açúcar e leite tiveram alta em quase todo o país, sendo que para o primeiro o aumento ficou acima de 20% em 16 capitais. Apenas a capital da Paraíba, João Pessoa, apresentou alta no valor da cesta básica no acumulado dos últimos 12 meses.
Em Curitiba, o custo diário da alimentação para o trabalhador fechou o ano em R$ 7,06. Já o preço calculado para uma família curitibana - um casal e duas crianças - foi de R$ 635,55. O Dieese também calcula o peso da alimentação em relação ao salário mínimo e o tempo necessário de trabalho. Em 2008, a cesta básica representava 60,08% do salário mínimo líquido (R$ 381,80 na época). Em 2009, a porcentagem passou a 49,52%, considerando o salário mínimo líquido em R$ 427,80. O tempo de trabalho caiu de 121h36min para 100h14min na comparação entre os anos.
Motivos e Previsão
A queda no custo da alimentação em 2009 quebrou a trajetória de fortes altas que a cesta básica apresentou em 2007 (11,46%) e 2008 (22,52%). Para Sandro Silva, a conjuntura nacional e internacional da desaceleração econômica e, por consequência, a queda no consumo levaram a retração nos preços dos produtos.
De acordo com Silva, dificilmente o desempenho dos custos de produtos alimentícios em 2009 se repita este ano. ''Possivelmente teremos uma alta próxima da inflação, entre 4% e 5%. Mesmo assim continuaremos a ver um aumento do poder aquisitivo em relação ao salário mínimo. A porcentagem que o valor da cesta básica representa no ganho do trabalhador deve continuar em queda''.


