A cesta básica de Curitiba teve queda de 1,85% em outubro. A queda ocorreu em função da redução, principalmente, de 19,10% no preço da batata e de 5,99% na banana. Também caíram os preços da carne (-2,36%) e do leite (-2,71%). A pesquisa foi divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A cesta de Curitiba teve a maior queda entre 18 capitais pesquisadas. O Dieese calculou que o custo da cesta básica, formada por 13 itens, para uma família curitibana formada por um casal e duas crianças foi de R$ 1.049,79 em outubro e, para um trabalhador, ficou em R$ 349,93.
Segundo o economista do Dieese, Fabiano Camargo da Silva, a batata e a carne tiveram um peso grande no resultado da cesta de outubro. Ele explicou que os preços da batata e da banana caíram em função do aumento da oferta destes produtos. O leite saiu da entressafra de inverno e, com o clima melhor, as pastagens são favorecidas.
Já a farinha de trigo sofreu aumento (5,84%) em função da alta do dólar, o que encarece a importação. O preço do óleo (+4,29%) é reflexo da entressafra da soja, da demanda interna aquecida e do aumento da moeda americana, segundo Silva. O arroz (4,18%) foi afetado por chuvas e há produtores segurando os estoques em busca de um preço melhor. Também ficaram mais caros o feijão (3,21%), o tomate (3,51%), o café (2,12%), o açúcar (2,70%) e a manteiga (2,11%). O pão ficou estável.
De janeiro a outubro, a cesta acumula alta de 10,79%. A inflação de Curitiba medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumula alta de 9,42% no mesmo período, o que mostra que os alimentos subiram mais que o índice inflacionário.
Silva disse que a alimentação teve pressões muito fortes como questões de safra, aumento do dólar e elevação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Paraná, além do reajuste da energia elétrica que encareceu a produção. Nos últimos 12 meses terminados em outubro, a cesta subiu 11,35%.
De janeiro a outubro, os produtos que mais subiram foram banana (31,16%), tomate (14,33%), carne (13,15%), café (11,89%), óleo de soja (10,98%) e batata (10,16%). O único produto com queda no ano foi o feijão (-3,98%) e o arroz ficou estável.
O levantamento aponta que o salário mínimo necessário do trabalhador para atender as suas necessidades básicas e de sua família como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social deveria ser de R$ 3.210,28 em outubro.
No mês passado, a cesta básica para um trabalhador comprometia 44% do salário mínimo bruto. Silva disse que era difícil fazer projeções para o comportamento dos preços da cesta em novembro já que os alimentos sofrem muito com questões climáticas, cambiais e de logística.

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