Cesta básica de Curitiba registra deflação de -2,05%
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O preço da cesta básica em Curitiba teve deflação de -2,05% no mês de julho, se comparado ao mês anterior. O valor da cesta básica para um trabalhador fechou o mês com um custo estimado em R$ 165,47, o quinto maior preço do País.
A deflação em Curitiba foi a segunda maior registrada entre as 16 capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). A maior queda nos preços ocorreu em Vitória (ES), que fechou o mês de julho com deflação de -3,03% e cesta básica cotada em R$ 153,40.
Os itens que puxaram os preços para baixo foram o tomate (-11,98%), banana (-9%), manteiga (-5,52%), óleo de soja (-4,52%), carne (-3,29%) e café (-1,02%). De acordo com o técnico do Dieese, Sandro Silva, a carne foi a grande surpresa do mês de julho. Em junho, a variação de preço havia sido positiva (0,22%). ''Em junho, a alta da carne foi generalizada em quase todas as capitais brasileiras. Em julho, houve queda acentuada em Curitiba e em Belo Horizonte (-4,63%). Vai depender desse item o comportamento da cesta básica no mês de agosto em Curitiba'', analisou ele.
O tomate teve queda de preço em dez das 16 capitais brasileiras pesquisadas. Curitiba teve a sexta maior queda. Os motivadores da queda acentuada de preço foram a oferta de produtos da chamada safra de risco e o reequilíbrio de preços, já que o tomate vinha de altas consecutivas. No ano, a variação acumulada de preços foi positiva em Curitiba: 55,28%. A banana apresentou redução de valor por causa da grande oferta de produtos de época, o que acaba impulsionando os preços para baixo.
As maiores altas de preços ocorreram nos seguintes produtos: batata (20,54%), açúcar (8,05%), farinha de trigo (5,16%), feijão preto (4,72%), arroz (1,95%) e pão (1,02%). O custo da alimentação para um trabalhador com mulher e dois filhos está estimado em Curitiba em R$ 496,41, sendo necessários 1,91 salários mínimos somente para satisfazer as necessidades básicas do trabalhador com alimentação. O Dieese apontou ainda que o curitibano está gastando mais este ano com alimentação do que no mesmo período do ano passado. Em 2003, o trabalhador gastava 62,11% do salário mínimo com a compra da cesta básica. Em 2004, o percentual subiu para 63,64%.
Se for levada em consideração a variação da cesta básica em Curitiba nos primeiros sete meses deste ano, o preço subiu 3,94%. Foi a segunda menor variação da cesta básica nas capitais brasileiras. A maior variação ocorreu em Aracaju (SE), com 0,20%. Nos últimos 12 meses, a alta em Curitiba foi de 11,01%, a segunda maior do Brasil. A capital com maior variação do valor da cesta básica nos últimos 12 meses foi Belo Horizonte, com 17,4%.


