Cesta básica custa R$ 139 em Londrina
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
A cesta básica custa para o trabalhador londrinense R$ 139,11, ou 57,97% do salário mínimo, segundo aferição realizada ontem pela Folha nos principais supermercados da cidade. Comparando o levantamento de preços com pesquisas feitas em maio pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em 16 capitais, a cesta londrinense coloca-se entre as mais baratas do País. Em relação às pesquisadas, a de Londrina só é mais cara que a de João Pessoa (PB), que custa R$ 138,35.
Os gêneros de primeira necessidade em Londrina são aproximadamente 21% mais baratos do que em São Paulo, capital com a cesta básica mais cara do Brasil (R$ 175,95), e 15% mais baratos do que em Curitiba (R$ 163,53). Com base nestes valores, estima-se que o custo diário com alimentação para um trabalhador com renda mínima em Londrina seja de R$ 4,64.
Apesar de estar entre as de preço mais baixo do País, a cesta básica em Londrina também desconfigura o salário mínimo, pois o restante do vencimento disponível torna virtualmente impossível o cumprimento de direitos do trabalhador com moradia, higiene e educação, conforme prevê o artigo 7 da Constituição brasileira.
O preço da cesta básica em Londrina poderia ser ainda mais baixo, não fosse pelas constantes altas do arroz, gênero do qual o consumidor mais tem reclamado. Segundo consumidores consultados pela equipe da Folha, os últimos quatro meses foram o período em que mais se percebeu a alta do produto. Outros itens citados pelos entrevistados como problemas para o orçamento doméstico são o feijão e o óleo comestível. Na pesquisa de preços da Folha, verificou-se que o quilo do arroz em Londrina custa, em média, R$ 1,99. O litro do óleo de soja custa R$ 2,00, e o quilo do feijão, R$ 2,32.
A vendedora autônoma Marileuza Martins, 51 anos, faz parte da grande parcela do consumidor que reclama do preço do arroz: ''Um produto de lavoura poderia ser mais ascessível''. Marileuza explica que não pode subustituir o produto, pois nada atende às necessidades de alimentação como o arroz e o feijão. ''A diferença é que o feijão é consumido em quantidades bem menores, então não chega a pesar'', diz. Marileuza também reclama do preço do óleo de cozinha. ''Pago cerca de R$ 2,60 no litro e acho muito caro''.
A dona de casa Léa Bernardes, 54, lembra que o preço dos produtos da cesta básica já foram maiores. ''Percebi uma pequena queda. Mas o problema é que quando sobe, sobe muito'', afirma. Ela também destaca o óleo de cozinha como um dos vilões do orçamento doméstico.
Celina Sakurai, 46, tem um problema ainda maior quanto ao arroz. Sua família, formada por descendentes de japoneses, consome uma qualidade do produto com preço quase duas vezes maior do que o do arroz comum. ''De uns três ou quatro meses para cá, percebi uma grande evolução nos preços''.


