O preço da cesta básica, em Londrina, recuou 3,02% em outubro comparada ao mês anterior, segundo apurou a pesquisa realizada anteontem por estudantes da Faculdade Metropolitana em 10 supermercados da cidade. A aquisição dos 13 itens que compõem o kit individual caiu de R$ 139,69 (valor de setembro) para R$ 135,47. Já para uma família de dois adultos e duas crianças o gasto passou de R$ 419,08 para R$ 406,40, o equivalente a 1,56 salário mínimo.
Segundo o economista e coordenador da pesquisa Flávio Oliveira dos Santos, o tomate (- 35,96%), a batata (- 20,95%), a banana (- 11,43%) e o óleo de soja (- 9,56%) foram os produtos que mais contribuiram para a queda no valor da cesta básica. Além deles, também caíram: a farinha de trigo (- 6,14%), o arroz (- 6,02%), o açúcar (-5,41%), o leite tipo C (- 5,29%) e a margarina (-1,88%). ''O aumento na oferta dos hortifrutigranjeiros e as constantes promoções influenciam o custo das mercadorias'', concluiu. Em contrapartida, os universitários constataram um reajuste no preço do feijão (+ 34,71%), do café (+ 17,77%) e da carne (+ 4,14% - coxão mole).
No estabelecimento mais barato, a cesta básica para uma pessoa custaria R$ 124,78 e R$ 374,33 para uma família. No concorrente mais caro, o gasto seria de R$ 156,89 e R$ 470,68, respectivamente. Com tempo e disposição, o consumidor poderia economizar ainda mais comprando os produtos mais baratos entre todos os estabelecimentos visitados: R$ 105,64 para uma pessoa e R$ 316,93 para a família.
De acordo com Richardson de Souza, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), o aumento do feijão nesta época do ano era previsível devido à redução no estoque. ''Além da proximidade com o início da safra (meados de dezembro), devemos considerar a retração no consumo de feijão decorrente da mudança nos hábitos alimentares da população. Essa alta está ajudando o produtor a recuperar o prejuízo dos últimos meses, mas isso ainda não significa lucro. Na prática, ele está equiparando o gasto com a receita'', disse Souza ao lembrar que o Paraná é o maior produtor de feijão do País.
Comparado a janeiro deste ano, o valor da cesta básica em Londrina caiu 4,12% em outubro e 1,49% nos últimos 12 meses. Desde junho de 2001, a equipe de Santos verificou um aumento de 28,69% no preço da cesta básica onde o óleo de soja (+ 104,12%), o arroz (+ 75,6%) e a carne (+ 50,4%) figuram como os vilões.
Na opinião da aposentada Irene Charif não adianta trocar uma marca de confiança por outra mais barata porque o rendimento não compensa. Sua estratégia é cortar os supérfulos sem abrir mão da qualidade do que consome. A dona de casa Odete Dias Lima está antenada às oscilações nas tabelas dos supermercados e, ao contrário de Irene, costuma variar de fabricante para economizar. ''Faço a compra do mês num supermercado da periferia porque é mais barato e, quando venho ao centro da cidade, aproveito as promoções'', disse a viúva que mora numa fazenda do Patrimônio São Luiz.
Para o engenheiro agrônomo Mário Tanaka, a solução é optar pelos produtos da estação entre os hortifrutigranjeiros e pesquisar o preço. ''Antes de fazer uma compra, passo em dois ou três supermercados'', disse Tanaka para quem a proximidade com as festas de final de ano é uma boa desculpa usada pelos frigoríficos para elevar o preço da carne.

mockup