Cesta básica aumenta mais que a inflação
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sexta-feira, 09 de janeiro de 1998
Carmem Murara Curitiba 
Pela primeira vez desde o lançamento do Plano Real, o custo da cesta básica calculada pelo Dieese subiu mais do que a inflação. Em Curitiba, os produtos tiveram um reajuste anual de 12,79%, enquanto a inflação no mesmo período foi de 7,74%, segundo o IGP-M da Fundação Getúlio Vargas. Curitiba teve a terceira cesta básica mais cara do País, ficando atrás de Porto Alegre e Rio de Janeiro.
A cesta básica em Porto Alegre foi a que mais subiu. A variação foi de 14,83%. O aumento dos produtos no Rio de Janeiro chegou a 13,03%. A exceção ficou por conta de Salvador, que registrou deflação de 3,86% nos 12 meses de 97.
O resultado anual do custo dos produtos básicos, que integram a alimentação de uma família, surpreendeu os economistas do Dieese. No início do ano passado, eles esperavam que o comportamento da cesta básica acompanhasse os anos anteriores. No segundo semestre de 94, primeiros seis meses do Plano Real, a cesta básica teve um aumento de 26,62%. No ano seguinte, os produtos variaram 12,5%, enquanto a inflação foi de 21,98%. Em 96, a inflação foi de 9,12% e a cesta básica apresentou deflação de 2,08%.
Acreditávamos que os resultados em 97 estariam mais próximos dos números da inflação, mas os produtos acabaram subindo mais, afirmou o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Ele disse que o aumento não aconteceu somente nos produtos que compõem a cesta básica, mas em todo o segmento alimentício. Cordeiro acredita que a alimentação deixou de ser uma das âncoras do Plano Real.
A cesta básica em Curitiba é a mais cara do País, segundo os dados de dezembro. Ela custa para o trabalhador R$ 99,65. Em seguida está São Paulo com R$ 98,32. A mais barata está em João Pessoa com um preço de R$ 70,04. Em dezembro, a cesta básica curitibana teve um reajuste de 4,3%. O aumento foi o terceiro maior do País. Em primeiro lugar aparece o Rio de Janeiro com 6,93% e Belo Horizonte com 6,71%.
Um trabalhador precisa dispor de R$ 83 de seu salário mínimo bruto (R$ 120) para comprar uma cesta básica para sua família. O comprometimento do salário com a alimentação é o menor desde 94, quando o mesmo trabalhador teria que gastar 95,43% do salário mínimo para comprar os alimentos.


