Cesta básica aumenta 1,7% em março
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Carmem Murara 
Arquivo FolhaRação mínimaPara uma família de 4 pessoas, alimentação básica custa R$ 310Pelo quinto mês consecutivo, Curitiba aparece como a capital com cesta básica mais cara do País. Os números divulgados ontem pelo Dieese mostram que os produtos que compõem a cesta básica custam R$ 103,53, o que representa 93,7% do salário mínimo. Em março, a alimentação na capital paranaense teve aumento de 1,7%, ficando entre as quatro capitais que tiveram menor variação. Os produtos apresentaram aumento acumulado de 3,8% no ano e de 6,2% nos últimos 12 meses.
Os dados da cesta básica mostram que os alimentos estão sendo reajustados muito acima da inflação. O INPC apontou uma inflação de 5,2% no ano passado, enquanto a cesta básica subiu 12,8%. De fevereiro de 1997 até fevereiro deste ano, a inflação foi de 5,3% e a cesta básica aumentou 11,4%. Podemos dizer que a cesta básica ficou 118% mais cara em relação à inflação, afirmou o técnico do Dieese Nelson Karam.
O aumento acima do custo de vida mostra que os alimentos deixaram de ser os âncoras do Plano Real. Até 1996, os produtos tinham preços abaixo da inflação. A cesta básica, em 96, teve variação mensal negativa de 0,18% e, em 95, houve variação mensal positiva de 0,99%. Com a redução drástica da inflação em 97, os alimentos passaram a ter aumento superior.
Entre os itens que puxaram os preços dos produtos para cima, em março, estão o tomate (29,5%) e o leite (7,3%). O preço do tomate aumentou devido a dois fatores: recuperação da queda de 25,4% em fevereiro e período de entressafra e chuva. Houve redução da oferta do produto no mercado e por isso o tomate ficou mais caro, afirmou Karam. Não há uma razão específica para o aumento do preço do leite. No mês anterior, o produto teve queda de 1,4%. As maiores quedas foram no preço da batata (-7,3%) e no óleo de soja (-5,4%).
Para uma família de quatro pessoas, seriam necessários R$ 310 (2,5 salários mínimos) para satisfazer as necessidades de alimentação. Incluindo todos os itens necessários - transporte, saúde, lazer, moradia, vestuário educação, higiene e previdência social -, um trabalhador deveria receber R$ 869, segundo o Dieese.
O levantamento mostra que os preços da cesta básica aumentaram em 16 capitais. Além de Curitiba, os valores ficaram acima de R$ 100,00 nos preços em São Paulo e Rio de Janeiro, onde o custo foi de R$ 101,97 e R$ 100,36, respectivamente. As maiores altas foram registradas em Natal (12,76%), Aracaju (8,75%), e Fortaleza (8,69%). Destacam-se ainda as altas de 6,63% em Brasília, 6,14% em João Pessoa e 6,09% em Porto Alegre. As três cidades onde o levantamento registrou menor aumento do custo da cesta foram Belo Horizonte (0,29%), Rio de Janeiro (1,15%) e Vitória (1,20%).


