É certo que grande parte dos brasileiros ainda conhece apenas um tipo de cerveja: a pilsen, considerada a mais popular do mundo. Mas cresce rápido o número de interessados nas cervejas especiais ou ''premium'', que utilizam matérias-primas de qualidade, com nenhum ou poucos aditivos químicos. É um tipo de consumidor que já transita pelo mercado gourmet (com seus bons vinhos, bons azeites), tem poder aquisitivo e está aprendendo a degustar cerveja, mais de olho na qualidade do que na quantidade. São eles que puxam o crescimento de um mercado novo no Brasil, com potencial expressivo.
''Apesar da alta do dólar, é um setor que deve continuar crescendo, porque a percepção do brasileiro em relação à cerveja vem mudando. E existe poder aquisitivo, em algumas camadas da população, para este tipo de consumo'', avalia Enio Rodrigues, superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Ele não fornece e nem arrisca números sobre a participação das cervejas especiais no mercado nacional.
Sabe-se, porém, que o segmento movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano no Brasil, representando cerca de 7% do setor cervejeiro. A mudança de comportamento do consumidor vem conferindo diferença ao mercado, que ainda tem muito para crescer. ''As pessoas não tomam cervejas especiais no dia-a-dia, mas optam por elas nos finais de semana ou em eventos, em menor escala, para saborear, como se fosse vinho'', diz Rodrigues.
O representante do Sindicerv informa que hoje a maior parte das cervejas premium consumidas pelos brasileiros é importada, mas a tendência é que aumente o número de empresas produzindo as bebidas no Brasil, de acordo com os manuais e ingredientes europeus, como já acontece com algumas marcas.
O empresário Vinícius Damião Munhoz apostou inicialmente no vinho como carro-chefe do seu negócio, aberto há três anos, mas mudou o foco ao descobrir o filão das cervejas especiais. Hoje, a Santo Prazer, sua loja em Londrina, trabalha com cerca de 70 rótulos de cervejas premium, incluindo as artesanais nacionais e as especiais importadas de países como Áustria, Bélgica, Alemanha, Uruguai, Holanda e Irlanda. As garrafas vão de R$ 3,50 a R$ 140. Esta última é nacional, escura e com teor alcoólico de 14%, que vem num estojo, de edição limitada.
Neste segmento, há garrafas diferenciadas com formatos e materiais inusitados. Entre elas está uma de louça (R$ 44,95 a garrafa de 500 ml), holandesa, feita por monges trapistas. ''Há sete mosteiros no mundo que produzem este tipo de cerveja, que é mais encorpada, com espuma cremosa. Esta cerveja é alimento para os monges, por isso é conhecida como pão líquido'', conta Munhoz.
Outro destaque é uma cerveja de celebração (R$ 85, a garrafa de 750 ml), feita pelo método champenoise e que vem engarrafada como se fosse espumante. É nacional, vem de Blumenau (SC). Também há opções com valor histórico, como a cerveja alemã de trigo mais conhecida e consumida no mundo. A garrafa de 330 ml custa R$ 7,50. Na loja também há opções com leve sabor e aroma de café, cravo, canela, banana, rapadura, mel, entre outros.
Há cervejas claras, escuras, mais leves, mais fortes. Muitas delas são produzidas de acordo com a lei de pureza alemã, de 1516, conforme a qual a cerveja de qualidade deve ter como base água, malte e lúpulo, sem conservantes e antioxidantes. O consumidor que quiser conferir, isto está no rótulo.

mockup