Cervejarias se unem contra concorrência
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terça-feira, 11 de janeiro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Para garantir espaço no mercado, pequenas cervejarias poderão se associar para enfrentar a fusão entre a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev) e a belga Interbrew. Em Londrina, o diretor de Marketing da Fábrica Industrial Norte Paranaense de Bebidas (Inbeb), que fabrica a cerveja Spoller, acredita que esta será a única forma das pequenas permanecerem no mercado e não ser esmagadas pelas grandes empresas.
Segundo Barreto, conversa nesse sentido já está sendo iniciada com alguns fabricantes de cerveja do Estado de São Paulo.''Se não for com a união, seremos esmagados pelos grandes. A solução é formar uma associação, assim como ocorre com os supermercadistas, para ficarmos mais fortes no mercado'', sugere ele.
Entre as principais reclamações das pequenas está a diferença nos valores dos tributos pagos por elas em relação à Ambev. ''Temos notícias de que a Ambev paga menos impostos do que as pequenas fabricantes e o que a gente quer é que todos mundo pague igual'', completa o diretor da Spoller. Segundo ele, os investimento no setor são alto e a diferença tributária prejudica as pequenas empresas. ''Assim como as grandes, vamos ter que investir no medidor de vazão, que é uma exigência da Receita Federal e que tem alto custo'', exemplifica.
Na semana passada, nove cervejarias, que ocupam entre o 4º e o 10º lugar no ranking dos fabricantes nacionais de cerveja - participaram de um manifesto denunciando a Ambev por práticas que prejudicam a concorrência no setor. O documento foi entregue, na quinta-feira, à Secretaria de Direito Econômico (SDE) e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As preocupações se acentuaram a partir da aliança com a Interbrew, efetivada em agosto do ano passado.
Entre as principais reclamações, as empresas destacam no manifesto distorções tributárias que proporcionam vantagens competitivas à Ambev calculadas em 8%. O documento diz que se não forem adotadas medidas para coibir as práticas denunciadas e impor restrições no ato de concentração que tramita no Cade, o setor de cervejas deixará de ter concorrência, ''com evidentes prejuízos ao mercado, às redes de distribuição e certamente aos consumidores''.
Entre as práticas criticadas, as fabricantes destacam o programa de fidelização ''Tô Contigo'', da Ambev, que, segundo acusam, pressiona os pontos de venda a dedicarem exclusividade aos produtos Ambev, ''em troca de dinheiro, bonificações e prêmios'', expulsando os concorrentes. O documento acusa a Ambev, também, de utilizar mecanismos para promover reduções nos preços de seus produtos com o objetivo de conter o avanço da concorrência. ''Quem paga por isso é o consumidor, que vai ficar sem opção'', comenta o diretor de marketing.
A Spoller não participou do documento, mas concorda que as práticas denunciadas são antiéticas. ''Usar o poder econômico para comprar os pontos de vendas é antiético porque constrange o dono do estabelecimento, sendo certo que o consumidor sofrerá com a ausência de oferta de outras empresas, pagando o preço exigido pela Ambev'', comenta.


