A Antárctica está fomentando o plantio de cevada na região Sul do País, para reduzir a dependência das importações. Como atrativo para o produtor, a empresa pretende pagar em torno de R$ 185,00 a tonelada, praticamente a mesma remuneração prevista para o valor do preço mínimo para o trigo. E ainda garante a compra da produção para aqueles que firmarem contrato com a empresa. No Paraná, a Antárctica fomenta o plantio de cevada na região dos Campos Gerais e da Lapa. Na região de Guarapuava, a Agromalte, indústria processadora de cevada, da Cooperativa Agrária, ainda não definiu as metas para a próxima safra.
As metas da Antárctica para o plantio da safra 99 de cevada foram traçadas nos últimos três dias, em reuniões contínuas com diretores da empresa, representantes de cooperativas, representantes da empresa nas regiões e produtores. A meta é fomentar o plantio numa área de 40 mil hectares, entre os três estados do Sul, e colher uma produção de 95 mil toneladas, em condições normais de clima. A empresa conseguiu aumentar em 40% a área plantada nos últimos três anos e vem reduzindo a dependência das importações de malte e cevada.
A área praticamente repete a área plantada no ano passado, embora a produção pode superar a safra do ano anterior, que foi prejudicada pelo excesso de chuvas. Para o diretor de Fomento Agrícola da Antárctica, Valmir Ferrari, a expansão da área plantada fica limitada pela falta de infra-estrutura de maltarias. A empresa pretende implantar uma maltaria em Taubaté (SP), para onde será levada parte da cevada produzida no Paraná.
Durante a reunião, persistiu o clima de incerteza entre produtores e indústria sobre a remuneração do produto, à exemplo do que já vem acontecendo com o trigo. Os produtores estão surpresos com a alta acentuada no preço dos insumos e muitas dúvidas em relação à comercialização do produto. Ferrari argumentou que a Antártica está trabalhando tendo como base o câmbio a R$ 1,70, no período da comercialização, conforme está sinalizando o governo.
Apesar da alta dos insumos, Ferrari argumentou que o preço oferecido pela Antártica vai garantir lucros ao produtor. Os custos de produção, incluindo todos os componentes, inclusive depreciação de máquinas, foram calculados em R$ 410,00 para uma produtividade média de 3.000 quilos por hectare. A projeção é que o produtor tenha uma margem de lucro de 20% a 25%. Acima dessa produtividade, a margem de ganho do produtor poderá ser maior, acredita Ferrari. ‘‘A vantagem para o produtor, além da garantia da compra do produto, é que ele tem acesso a um pacote tecnológico oferecido pela empresa que inclui a semente certificada e assistência técnica especializada’’, garantiu.

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