O certificado de qualidade garante a valorização do produto orgânico em até 30% e amplia o mercado consumidor. Essas são algumas vantagens almejadas pelo produtor que abandona o sistema convencional de plantio (que usa agrotóxicos) para atender a demanda por orgânicos que, a cada dia, é maior.
Em Pato Branco (sudoeste do Paraná), 13 famílias iniciaram o processo de certificação na semana passada. Elas fazem parte de um grupo que foi capacitado pela união do Sebrae/PR, Fórum de Desenvolvimento, Prefeitura e Sindicato Rural da cidade durante um ano.
Segundo o consultor Sabino Oltramari, a conquista do selo demora, no máximo, três anos, mas, para ele, o processo será mais rápido nessa região. ''Algumas propriedades estão mais adaptadas ao sistema e, por isso, o trâmite será mais rápido'', avalia Oltramari que estima em, aproximadamente, R$ 100,00 a parcela de cada produtor envolvido no rateio das despesas burocráticas.
A maioria dessas famílias está em busca de um certificado internacional que é exigido como garantia até mesmo dentro do Brasil. De acordo com dados da Associação das Empresas Comercializadoras de Orgânicos (Aeco), o mercado brasileiro movimentou em 2002 cerca de US$ 250 milhões com produtos orgânicos, dos quais US$ 5 milhões provenientes da exportação, principalmente do açúcar, soja e café.
O mercado nacional de orgânicos representa apenas 10% de tudo que é comercializado no mundo, ou seja, US$ 30 bilhões. Informações do Centro Internacional de Comércio (ITC) mostram que o mercado mundial de orgânicos cresce, em média, 22,5% ao ano e as estimativas apontam vendas globais de US$ 25 bilhões em 2005.
Nesta quinta-feira, em Nuremberg (Alemanha) começa a Biofach 2004 considerado o maior evento internacional do setor orgânico. A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, com apoio da APEX-Brasil, levará 45 produtores dos quais 25 estarão no estande do Sebrae sendo três do Paraná. ''Há um procura cada vez maior por produtos brasileiros na Alemanha. Este é o principal canal pelo qual o Brasil pode conquistar maior reconhecimento no mercado internacional. Afinal, os alemães são líderes no mercado orgânico'', comenta Dinah Worisch Mazzo, diretora do Departamento de Feiras da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.
Segundo Liliana Prestes, analista de mercado e comercialização do Sebrae/Paraná, o Estado é o maior produtor de alimentos orgânicos do País. Na última safra (2001/2002), foram colhidas 47.958 toneladas volume 35% maior que o registro anterior conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). ''A agricultura orgânica é uma maneira de viabilizar o sustento do pequeno produtor através de um mercado garantido'', explicou Oltramari.

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