Curitiba - Até o final do ano, ou o mais tardar início do próximo, o projeto de construção de um duto aéreo para o transporte de cereais deve sair do papel. Essa é a expectativa dos empresários de comércio exterior que participam, em Curitiba, do 4º Seminário de Transporte, Logística e Exportação e 4º Seminário Nacional de Logística Integrada. O ''cerealduto'', como foi batizado, vem sendo, há tempos, discutido como alternativa para escoar os grãos do armazém da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Ponta Grossa até o Porto de Paranaguá, no Litoral do Estado.
O modal de transporte será pioneiro no Brasil. Segundo o presidente do Instituto Centro de Comércio Exterior do Paraná (Cexpar) e diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Zulfiro Bósio, existem no mundo apenas dois trechos de dutos para transporte de cereais: na Alemanha e na Rússia. A previsão é de que o cerealduto fique pronto em um prazo de dois anos e meio a partir do início da construção.
Quanto será investido na obra, afirmou Bósio, ainda é uma incógnita, pois o custo dependerá do trajeto topográfico que teria cerca de 170 quilômetros. ''Temos dinheiro sobrando'', disse ele, referindo-se ao interesse de vários investidores no empreendimento que, em princípio, será totalmente financiado pela iniciativa privada. A intenção com o novo modal é reduzir os custos com frete e diminuir as filas de caminhões em direção ao porto. Há, ainda, o apelo ambiental, já que se reduziria a quantidade de dióxido de carbono liberado pelos veículos na atmosfera.
Os empresários e especialistas reunidos em Curitiba também têm plena convicção que as principais barreiras à exportação são internas: ''altos custos no transporte rodoviário, ferroviário e nas operações portuárias e a falta de equipamento de logística para agilizar as exportações e reduzir seus custos''. O principal entrave, apontou Zulfiro Bósio, é a burocracia. ''Temos 3.614 leis, portarias e medidas do Banco Central, muitas delas que divergem entre si e que são igualmente válidas'', reclamou. Por essa razão, uma outra expectativa dos exportadores é em relação à ''desburocratização'' do comércio exterior. ''Vamos iniciar processo de modernização numa parceria entre a Receita Federal e os empresários'', complementou.

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