De acordo com o analista do setor de trigo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Hugo Godinho, muitos produtores paranaenses estão optando por variedades que atendam às necessidades das indústrias de panificação, mercado que tem demandado uma alta quantidade de matéria-prima, principalmente depois que a Argentina reduziu a área plantada com o trigo, motivada pelo baixo valor do cereal no mercado.
Godinho explica que historicamente o trigo está perdendo espaço também nas lavouras paranaenses. Diferente da Argentina, o que desmotivou a desistência pelo plantio da cultura no Estado foi o aquecimento no valor pago pela saca de milho, que devido à estimativa de quebra na safra americana e à estiagem que atingiu o Brasil no ciclo de verão 2011/12, fez com que o preço da commodity disparasse.
Nesta safra, o Paraná plantou 764,8 mil hectares, 28% a menos do que se comparado ao ciclo anterior, quando foi plantado mais de 1 milhão de hectares. Com cerca de 10% da área já colhida, o Paraná espera produzir no atual ciclo mais de 2,21 milhões de toneladas. Na temporada anterior, o volume produzido somou 2,4 milhões de toneladas. ''A diferença entre a safra passada com a atual teria sido maior se não fossem a estiagem e a geada que comprometeram parte da produção do ano passado'', analisa Godinho.
Quanto à qualidade do cereal, Godinho exalta que os resultados até agora seguem dentro das expectativas. Entretanto, o especialista afirma que no Sul do Estado pode haver uma queda maior de produtividade por causa da longa estiagem. Na região Norte, a elevada incidência de oídio e a chuva que atingiu a região ontem podem comprometer um pouco a qualidade do cereal. (R.M.)

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