Cerco a transgênicos será reforçado
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terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Antes de embarcar para a Índia, na sexta-feira, o governador Roberto Requião (PMDB) deixou uma orientação política bastante clara ao seu vice, Orlando Pessuti (PMDB). Requião quer que seu governo feche o cerco aos transgênicos durante o escoamento da safra. Ontem pela manhã, durante a reunião do secretariado, o governador em exercício, atendendo à ordem de Requião, anunciou que o governo do Paraná já começou a mobilização para evitar o transporte de produtos geneticamente modificados através do Porto de Paranaguá durante a safra, que começa em cerca de 15 dias.
O governo Requião é contra o cultivo e transporte de transgênicos, e já proibiu que o porto transporte tais produtos. Pessuti disse que está aberto para discutir com o setor produtivo e com a direção do porto qual a melhor estratégia a ser montada para evitar a formação de grandes filas. ''A fiscalização (que é feita normalmente) não muda muito. Agora o componente diferente é a soja transgênica. Com relação a eles, vamos fazer a fiscalização nas 28, 29 barreiras nas divisas com os demais estados, e nas barreiras que tem o Ministério da Agricultura na fronteira com o Paraguai'', explicou Pessuti. Segundo ele, também serão montadas barreiras volantes no Estado, com o objetivo de evitar que a soja transgênica chegue ao porto.
O Paraná - segundo produtor nacional do grão, depois de Mato Grosso - estima colher nesta safra 12 milhões de toneladas de soja. Os principais compradores são a China e a União Européia.
Para garantir mercado, já que China e Europa têm preferência pela soja convencional, o governo do Estado busca a certificação, junto ao governo federal, de área livre de produtos geneticamente modificados. Pessuti acredita que esta semana será decisiva para a obtenção do certificado. Requião já abordou esse assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT), mas falta uma posição oficial do Ministério da Agricultura.
De acordo com Pessuti, a expectativa é que com a fiscalização nas lavouras e na colheita e armazenagem, o Paraná consiga ser declarado livre de transgênicos. Para a próxima safra, Pessuti espera menos dores de cabeça em relação aos transgênicos. Ele frisou que os produtores tiveram muitas dúvidas. O conflito de legislação foi uma das dificuldades. O governo federal liberou, o governo estadual proibiu e a Justiça derrubou a lei estadual que vetava os transgênicos. Mesmo assim, o Palácio Iguaçu não recuou e mantém a posição contra os transgênicos.
O governador em exercício disse que o cerco aos transgênicos durante o escoamento da safra vai depender da colaboração da Companhia Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) e de uma série de reuniões que integrantes do governo farão com representantes da Federação da Agricultura do Paraná e da Ocepar, a organização das cooperativas do Estado.
Em relação às filas na chegada do porto, Pessuti disse que a intenção é evitar que elas sejam maiores que o de costume, já que as filas sempre vão ocorrer. ''Até porque ainda não fizemos todas as modificações na estrutura de funcionamento do porto'', explicou.


