Cerca de 10% da gasolina brasileira é adulterada
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Brasília - O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis, Luiz Gil Siuffo Pereira, disse ontem que cerca de 10% da gasolina comercializada no Brasil é adulterada e acusou a Agência Nacional de Petróleo (ANP) de ser ineficiente no combate à escalada criminosa.
De acordo com o empresário, os golpes contra o consumidor evoluem desde 1995 devido à revogação da prerrogativa do Departamento Nacional de Combustíveis (DNC) de autorizar a entrada de solventes no País.
Na época, advertimos à diretoria do DNC, pois aquele ato era a senha que faltava para a marginalidade misturar solventes à gasolina, afirma o presidente da Fecombustíveis.
Em nota à imprensa, Pereira critica a mal conduzida abertura no mercado de distribuição de combustíveis e a ineficiência da ANP, que sucedeu a DNC.
Avaliávamos que a abertura econômica é sempre positiva, mas ela se assemelha à abertura de uma janela. Entram oxigênio e pó, e a limpeza do pó deve ser imediata, diz o empresário.
Segundo Pereira, a máfia da adulteração de combustíveis está associada a outra corrente da marginalidade no setor - aquele que sonega impostos. Ao invés de combater o bandido, os Estados resolveram punir os consumidores aumentando a tributação, reclama o presidente da federação.
Ele também acusa o Ministério da Fazenda e a ANP, por conivência e conveniências, de alimentarem o descaminho ao exaltarem preços baixos e acusarem quem pratica preços justos de abusividade.
Não se pode admitir que a ANP divulgue como preço bom para o consumidor aquele que se situa abaixo do preço de compra pelos postos, afirma Pereira, reagindo indiretamente às investigações sobre cartel no setor.
O presidente da Fecombustíveis repudiou ainda o covarde assassinato do promotor de Justiça José Lins do Rego Santos, de Minas Gerais, que investigava a adulteração de gasolina e foi morto supostamente a mando de um proprietário de posto de Belo Horizonte.


