O Sindicato das Indústrias de Olaria e Cerâmica para Construção (Sindcerâmica) de Jataizinho e Região quer um aumento de quase 45% no preço médio do tijolo. O aumento dos preços foi a principal pauta de reivindicação durante o Encontro de Ceramistas do Centro-Norte, em Sapopema (136 quilômetros de Cornélio Procópio).
De acordo com a categoria o preço do produto, comercializado em média a R$ 85,00 o milheiro, não teve aumento desde a implantação do Plano Real. Segundo a direção da entidade, o custo de produção é de R$ 86,50, mas o produto é comercializado em média por R$ 80,00. O preço médio exigido pela categoria é de R$ 120,00 o milheiro.
Os ceramistas alegam que outros materiais empregados na construção civil como o cimento registraram um aumento de mais de 100% no mesmo período. O Sindcerâmica reúne 120 ceramistas da região centro-norte. A entidade congrega os fabricantes de produtos primários da cerâmica como tijolos e telhas.
Segundo a direção da entidade, o objetivo do encontro foi pedir auxílio ao governo estadual e intensificar a organização dos ceramistas. O evento reuniu cerca de 40 ceramistas e contou com a participação do Secretário da Indústria e Comércio do Estado do Paraná, Eduardo Francisco Sciarra, e do diretor presidente da Minerais do Paraná S/A (Mineropar), Omar Akel.
O presidente da Sindcerâmica, Osmar Paloco, disse que o preço atual inviabiliza financeiramente as cerâmicas e admite que muitos ceramistas optam pelo exercício de práticas irregulares como sonegação fiscal e redução na remuneração dos profissionais para suportar a concorrência. Ele explicou que o valor do transporte dos insumos e do produto subiu com o aumento do preço dos combustíveis e da incidência do pedágio, mas que estes acréscimos não foram repassados para o consumidor.
De acordo com o levantamento efetuado pelo Sindcerâmica o tijolo é o produto de valor mais reduzido da obra. A pesquisa revela que o valor do tijolo que se emprega na obra é responsável por menos de 2% do valor total da construção.
Segundo a direção da entidade, o valor do tijolo deveria corresponder a 5% do valor total da obra.
De acordo com dados fornecidos pela Mineropar, o segmento agrega cerca de 14 mil pessoas em todo o Estado. O ceramista Ogier Rizato de Ortigueira disse que há cerca de dez anos a referência dos produtores era o salário mínimo. Segundo ele, nessa época o milheiro tinha o preço equivalente ao salário dos trabalhadores.
Durante o secretário da Indústria e Comércio se comprometeu a amparar o setor através de programas de órgãos governamentais como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ipem, Mineropar e Sert para colaborar na verificação de conformidades dos produtos, análises ambientais e no treinamento de mão-de-obra, além de estimular a integração do setor aos órgãos empresariais como o Sebrae e o Senai.

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