Cepal estima expansão de 1,3% para PIB do Brasil em 2015
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2014
Das agências 
Brasília - O Brasil deve ficar na rabeira do crescimento econômico entre os países da América Latina no ano que vem, segundo projeções divulgadas ontem pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Os economistas do organismo das Nações Unidas estimam expansão de apenas 1,3% na economia do Brasil em 2015.
Segundo a Cepal, a situação brasileira só deve ser menos pior que a da Argentina - cuja economia deve crescer 1% - e da Venezuela, com expectativa de recessão de 1%. Para a região como um todo, a projeção é de crescimento de 2,2% em média. Os países que liderarão a expansão regional em 2015 são o Panamá, com aumento do Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 7%, a Bolívia (5,5%), o Peru, a República Dominicana e a Nicarágua (5%).
Neste ano, a Cepal prevê que o PIB regional crescerá somente 1,1%, ante a primeira projeção de expansão de 2,2%. Se confirmado, será o crescimento mais baixo desde 2009. Para o Brasil, a expectativa é de alta de 0,2% no PIB - no início deste ano, a previsão inicial era de 1,4%. Pior que o Brasil, novamente, apenas Argentina e Venezuela, cujas economias devem "encolher" 0,2% e 3%, respectivamente.
De acordo com o organismo das Nações Unidas, o aumento moderado do PIB no ano que vem ocorrerá em um contexto de lenta e heterogênea recuperação da economia mundial, com queda nos preços das matérias-primas e um escasso dinamismo da demanda externa da região, além do aumento da incerteza financeira.
Os anúncios sobre a equipe econômica que comporá o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff indicam a busca, de forma gradual, de implementação do ajuste fiscal necessário, sem que isso prejudique as populações mais vulneráveis, o mercado de trabalho e o desenvolvimento do País. A avaliação é do secretário adjunto da Cepal, Antônio Prado.
"Vejo (na futura composição ministerial do governo Dilma Rousseff) perfis mais ortodoxos e pragmáticos. O sinal é claro de que a atuação a ser dada à questão do ajuste fiscal se dará dentro de uma gradualidade, que não resulte em danos ao desenvolvimento, aos segmentos mais vulneráveis ou ao mercado de trabalho", disse Prado. Ele participou, ontem, da divulgação do Balanço Preliminar das Economias da América Latina e do Caribe 2014.
Segundo ele, esse perfil de ministros "lembra a equipe econômica montada pelo presidente Lula em 2003". Além disso, acrescentou que "as metas de inflação atual estão menores do que em 2003, as taxas de desemprego estão mais baixas e as reservas ajudarão na condução das políticas econômicas, bem como a enfrentar eventuais ataques especulativos".
De acordo com a Cepal, apesar de a inflação afetar o poder de consumo das pessoas, no atual cenário brasileiro há uma "compensação para os trabalhadores", devido à melhoria dos salários. A entidade apontou como fator negativo a baixa expansão de crédito ofertado por bancos privados, o que tem levado os bancos públicos a atuarem de forma mais forte.
Outro ponto que chama a atenção da Cepal é o fato de o crescimento da arrecadação ter sido menor. Em diversos momentos, o governo brasileiro incentiva a economia por meio de renúncias fiscais. Isso, na avaliação de Prado tem minimizado o espaço fiscal do País. "Mas com o aceno de Dilma, espera-se um ajuste fiscal e o aumento de investimentos, após a conclusão dos projetos que estão em andamento", acrescentou o secretário da entidade.


