Central está sem capital para operar
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segunda-feira, 03 de agosto de 1998
Vânia Casado 
A Centralpar, indústria formada pelas cooperativas Clac e Witmarsun, está pleiteando um empréstimo de R$ 3 milhões ao Fundo de Desenvolvimento Econômico do Estado para o capital de giro da empresa. Esse empréstimo é essencial para que as duas cooperativas possam regularizar o pagamento dos produtores de leite, que está atrasado. A Centralpar está sem fôlego financeiro para iniciar as operações de envase de leite longa vida previstas para setembro. Segundo o presidente da Clac, Fernando Augusto Almeida, dependem da viabilização da Centralpar 2.500 famílias da região Sul do Estado que vivem da atividade leiteira.
Com a regularização do pagamento aos produtores, a Centralpar espera elevar o volume de leite recebido. Inicialmente a Centralpar iria envasar 200 mil litros de leite longa vida por dia, que atualmente estão sendo processados nas instalações da Confepar, em Londrina, e na Sudcoop, em Marechal Cândido Rondon. Com a concentração da industrialização em Curitiba, a Centralpar deverá trazer uma economia de R$ 300 mil por mês para a empresa, informou Almeida. Pressionada pelo pagamento de juros junto ao sistema financeiro, a Centralpar está aguardando também os recursos do Recoop - programa de revitalização das cooperativas, que aprovou o projeto apresentado pela Central.
Se forem liberados os recursos do governo do Estado e do Recoop, as operações de pagamento aos produtores estarão regularizadas até janeiro de 1999, disse Almeida. Em seguida a Centralpar inicia uma segunda fase de operações. Deverão ser envasados 400 mil litros de leite por dia e iniciada a produção de produtos lácteos como queijos, iogurtes, bebidas lácteas, requeijão cremoso, doce de leite e outros produtos. No total, as instalações da Centralpar na Cidade Industrial de Curitiba tem capacidade para envasar 800 mil litros de leite longa vida por dia.
Empregos Com a implantação definitiva da indústria, o faturamento atual de R$ 5 milhões deverá dobrar, disse Fernando Almeida. Com isso, a empresa, que recolhe em torno de R$ 300 mil em ICMS por mês, quando estiver funcionando com plena capacidade deverá recolher R$ 1 milhão em ICMS por mês. A Centralpar gera mais de 1.000 empregos diretos em 48 municípios no Estado, de onde recebe leite fornecido por 1.167 produtores.
Com o início das operações da Centralpar, a Clac e a Witmarsum deverão desativar suas plantas industriais localizadas nos municípios de São José dos Pinhais e de Palmeira, respectivamente. As empresas deverão ainda estudar um destino para essas estruturas, mas possivelmente estarão à disposição do mercado que queiram utilizá-las por meio de aluguel. Segundo Almeida, não está descartada a possibilidade de utilizar os equipamentos para congelamento de frutas e verduras dos cooperados, que serão incentivados a diversificar a propriedade. Mas isso é plano para uma segunda etapa, sendo que agora iremos concentrar nossas energias na viabilização da Centralpar, afirmou.
A Centralpar surgiu de uma parceria firmada em 1995 entre as cooperativas Clac e Witmarsum. Elas investiram US$ 3 milhões na compra de uma área de 17 hectares e instalações, na Cidade Industrial. As duas cooperativas já investiram R$ 15 milhões na compra de equipamentos e reestruturação. Parte desses recursos foi conseguida por intermédio do capital das duas cooperativas e do quadro social, além de financiamentos junto ao Banco do Brasil e aos fornecedores de equipamentos.


