Mônica Zarattini/AE
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Sem acordoVicentinho cumprimenta Thales Peçanna, do Sindipeças: CUT está fora das negociaçõesO Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) e a Força Sindical estão bem próximos de um acordo que resultará na redução dos salários dos metalúrgicos de São Paulo entre 10% e 15%. A jornada de trabalho passará de 44 para 33 horas semanais (25% menor) por um período inicial de três meses, entre janeiro e março. Em troca de menos salário os trabalhadores terão o emprego garantido.
Essas são as bases do acordo acertado ontem entre representantes das duas partes, que voltam a se reunir na terça-feira para concluir a negociação. A Força representa 115 mil dos 193 mil trabalhadores do setor.
Já a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que representa 50 mil operários da região do ABC, manteve sua posição contrária à redução dos salários e está praticamente fora dessa discussão. A central defende a criação de um fórum tripartite com representantes dos governos federal e estadual, empresários e trabalhadores para discutir alternativas que evitem o desemprego.
‘‘É preciso reduzir impostos e a taxa de juros para que a população volte a comprar, as fábricas voltem a produzir e não haja recessão’’, diz o presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva. Outros 28 mil trabalhadores das autopeças ligados à centrais independentes deverão seguir o acordo da Força.
Salários A direção do Sindipeças, que inicialmente queria 25% de redução na jornada e nos salários para evitar de 5 mil a 10 mil demissões recuou ontem e apresentou nova proposta, de 15% de corte nos salários. O presidente da Força, Luiz Antonio de Medeiros, chegou ao encontro com a indicação de 9%, mas ao final já falava em aceitar 10%. ‘‘Mas queremos recompor no futuro a diferença que não for paga nesse período’’, afirma.
Medeiros também quer estabilidade no emprego por seis meses (o dobro da duração da redução), enquanto os empresários oferecem 4,5 meses de manutenção no emprego. Esses são os pontos que serão negociados na próxima semana.
A criação da câmara setorial proposta pela CUT é defendida pelo vice-presidente do Sindipeças, Thales Peçanha, mas ele lembra que essa negociação é lenta e o problema da falta de caixa das empresas provocada principalmente pela queda de encomendas das montadoras - é imediato. ‘‘Grandes fornecedores da Volkswagen, por exemplo, registraram queda de 70% no faturamento’’, diz. Muitas indústrias, segundo ele, terão que negociar com seus funcionários o parcelamento do 13º salário que deveria ser pago neste mês.
Vicentinho, da CUT, reclama ainda da insegurança em relação à estabilidade no emprego. Desde a semana passada, quando as negociações começaram, pelo menos duas fabricantes de autopeças promoveram demissões. A Metal Leve demitiu 111 trabalhadores da fábrica de São Bernardo e 50 da de São Paulo e a Cofap, de Santo André, cortou cerca de 40 postos de trabalho.
Nos últimos três anos, o setor de autopeças já demitiu 50 mil trabalhadores. ‘‘Ter o salário reduzido e depois ser demitido é o cúmulo da humilhação’’, afirma o sindicalista.

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