São Paulo - Os dados positivos sobre o emprego, divulgados ontem pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), serão utilizados pelas centrais sindicais para a negociação dos reajustes salariais ainda este ano. A afirmação foi feita à Agência Estado pelo presidente interino da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, que se mostrou otimista com a criação de postos de trabalho, mas ainda não totalmente seguro quanto à solidez da retomada das contratações.
''Já estamos usando os dados e preparando a estratégia para usá-los nas negociações salariais deste ano, principalmente em relação ao aumento real e à Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O crescimento é positivo, mas ainda não é suficiente para absorver a quantidade de pessoas desempregadas e os jovens que entram no mercado de trabalho'', observou Juruna. ''É importante não criar um clima de euforia porque ainda não há sinais claros de crescimento sustentado'', complementou.
Ontem, o Caged informou que o mercado formal de empregos criou, em julho deste ano, 202.033 empregos no País. O número representa um crescimento de 0,83% em relação a junho, e foi o melhor resultado assinalado pelo Caged para meses de julho desde 1992, quando a série foi iniciada. Neste ano, já foram criados 1,236 milhão de vagas, um aumento de 5,32% em relação ao mesmo período de 2003.
Para o segundo semestre, época em que as contratações tradicionalmente aumentam, inclusive por causa das festas do fim de ano, o presidente da Força Sindical espera um resultado melhor para o emprego, mas destacou que a economia poderia estar mais aquecida, se o governo não tivesse deixado de cortar a taxa básica de juros, atualmente em 16% ao ano, nos últimos quatro meses.

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