Centrais unificam campanha pela recuperação salarial
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de março de 2002
Cláudia Rolli<br>Agência Folha-São Paulo 
Mais de 2,7 milhões de trabalhadores representados pelas duas maiores centrais sindicais do país CUT e Força Sindical definiram como prioridade em suas campanhas salariais unificadas a luta pela recuperação dos salários.
Dados divulgados pelo IBGE na semana passada mostraram que os trabalhadores perderam o poder de compra nos três últimos anos. A redução média do rendimento, somadas as perdas, chega a 9,7%. Só no último ano a queda foi de 3,9%.
Na região metropolitana de São Paulo, a situação é ainda pior, segundo dados da pesquisa de emprego e desemprego do Dieese. De dezembro de 96 a dezembro de 2001, os rendimentos dos ocupados desabaram 26,7% e dos assalariados, 20,3%.
Neste ano, vamos discutir aumento real nas mesas de negociação com os setores patronais, disse o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva. Segundo o sindicalista, a disputa pela manutenção do emprego, que não foi tão afetado pelo racionamento e as sucessivas crises em 2001, como se previa, vai dar lugar à reivindicação pela reposição das perdas. A central lançou sua campanha salarial unificada com 20 categorias profissionais e 1,7 milhão de trabalhadores nesta semana.
A Força propõe 15% de reajuste e aumento real, participação nos lucros e resultados, assim como redução da jornada. A CUT discutiu em seminário os pontos principais de sua pauta, que deve ser aprovada ainda neste mês. A campanha salarial com 30 categorias e cerca de 1 milhão de trabalhadores está prevista para ser lançada no final deste mês.
Segundo levantamento preliminar do Dieese, dos 421 acordos coletivos analisados em 2001, 68% tiveram reajuste acima ou igual a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). No ano passado, pesquisa feita com 375 categorias profissionais mostrou que 67% das negociações resultaram em reajustes iguais ou superiores à inflação.
A reforma da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) também está na pauta das duas centrais, mas de forma distinta. A Força Sindical defende as mudanças. A CUT é contra o projeto de lei que coloca as negociações entre patrões e empregados acima da legislação. O projeto ainda precisa ser votado pelo Senado.
Para o presidente da CUT, João Felício, além dos salários, a prioridade da central é discutir a flexibilização das leis. As modificações propostas pelo governo podem tirar direitos históricos dos trabalhadores e dar poder de pressão aos patrões, diz.


