Centrais têm balanço positivo do ano
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2001
Agência Estado 
São Paulo O aumento real não veio, mas o balanço das negociações salariais de 2001 é positivo, na avaliação dos presidentes das duas maiores centrais sindicais do País, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical. Eles argumentam que é preciso considerar o cenário que envolveu as negociações, marcado por diversas crises que ocorreram principalmente na segunda metade do ano, como a de energia, a argentina e os ataques terroristas aos Estados Unidos. Os altos juros e a disparada do câmbio no Brasil também influenciaram negativamente as discussões, acrescentam os sindicalistas.
Foi um segundo semestre de muitas negociações para trabalhadores de diferentes categorias, algumas ainda nem terminaram, como é o caso da dos aeroviários e jornalistas, por exemplo. As greves também fizeram parte do jogo de forças. Algumas curtas, como a dos metalúrgicos do ABC, de uma semana, e outras mais longas, de até três meses, como a dos servidores públicos. O saldo exato das negociações somente será finalizado pelas centrais no próximo ano.
''O resultado foi melhor do que o esperado com todas estas crises. Na maioria dos casos houve pelo menos a reposição da perda da inflação, mas em muitos outros conseguimos até ultrapassar o índice, como o caso dos petroleiros, reajustados em até 10%. O mesmo aconteceu com as Participações nos Lucros e Resultados (PLRs), que foi o diferencial acima do índice mínimo, no caso dos bancários'', salientou João Felício, presidente da CUT.
Ele disse também que o impedimento das demissões em massa no Banespa/Santander e na Volkswagen foi fruto das negociações dos sindicatos. ''Caso não houvesse uma articulação forte, haveria uma demissão em massa. E essa reversão é muito positiva'', afirmou.
Dois sindicatos considerados fortes, o dos bancários e o dos metalúrgicos do ABC, ambos filiados à CUT, consideraram a manutenção dos postos de trabalho de 3 mil trabalhadores da Volkswagen e de outros 18 mil dos funcionários do Santander/Banespa a grande conquista dos setores. ''Foi o primeiro acordo com o banco após a privatização. Podemos dizer que o resultado refletiu as dificuldades políticas e econômicas do semestre e que foi um momento de transição do público para o privado'', salientou João Vaccari Neto, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Os funcionários do Banespa obtiveram reajuste de 5,5%, além de abono.
Para Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força, as negociações foram satisfatórias. ''Em agosto não tínhamos grandes expectativas, mas empatamos em 2001, sem acumular perdas. A intenção para o próximo ano é obter aumento real de salário'', disse. Segundo ele, o destaque da central foi o setor de panificação, cujos trabalhadores obtiveram reajustes de 9% a 13% em São Paulo e na Região do ABC. A eleição no próximo ano será o grande trunfo dos sindicatos.
Sérgio Mendonça, diretor-técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), também considerou vitoriosa a movimentação dos trabalhadores. ''As negociações não foram homogêneas. Teve categoria que encontrou dificuldade para conseguir apenas o reajuste da inflação. Outras, obtiveram inclusive aumento real. Mas de um modo geral não foi tão negativo como se achava no início do segundo semestre'', salientou Mendonça.


