As centrais sindicais do Paraná querem participar do debate nacional sobre o valor do salário mínimo. Em entrevista concedida ontem, os líderes da CUT e Força Sindical no Estado disseram que pretendem apresentar sugestões ao governo de alternativas de fontes de recursos para sustentar o reajuste do salário mínimo a R$ 180,00, ou US$ 100, conforme condicionou o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Para as centrais sindicais, o aumento do salário mínimo pode ser sustentado via alterações nas prioridades do orçamento federal e não no aumento da tributação, onerando ainda mais as categorias que pagam imposto no País.
Para Cid Cordeiro, do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Econômicos), vários instrumentos podem ser adotados, entre eles a tributação dos Fundos de Pensão, que poderiam contribuir com R$ 1,9 bilhão por ano, se recolhessem o Imposto de Renda. ‘‘Enquanto esses megagrupos econômicos são isentos do imposto, os tributos são cobrados compulsoriamente dos trabalhadores’’, afirmou.
Os líderes Roberto Von der Osten, presidente da CUT–PR, e Clementino Tomas Vieira, diretor da Força Sindical-PR, afirmaram que não dá mais para ‘‘engolir’’ a justificativa do governo. Toda vez que se discute o aumento do salário mínimo, o governo argumenta que vai quebrar a Previdência e o caixa das prefeituras do Nordeste. ‘‘Esse tipo de argumentação não cola mais’’, afirmou Von der Osten.
As lideranças sindicais querem ainda descolar a discussão do salário mínimo da pauta política. Elas acharam ótima a antecipação ocorrida esse ano, mas lembraram que essa movimentação está vinculada a intenções políticas. Por isso, anunciaram que vão manter o debate para depois das eleições.
O Dieese calculou que o aumento do salário mínimo para US$ 100 vai representar um aumento real de 12%, que vai gerar um fluxo de recursos no mercado interno. Só de aposentados, são 15 milhões de pessoas que dependem exclusivamente desse salário no País. Além disso, o órgão comprova que o valor real do salário mínimo está diretamente ligado à curva do trabalho infantil no País, que tanto preocupa os organismos internacionais.
Para se ter uma idéia, entre 1995 e 1998, o salário mínimo estava acima de US$ 100. Nesse período, os indicadores sobre a presença da criança no mercado de trabalho começaram a cair. Em 1995, eram 267.927 crianças no mercado de trabalho. Em 1998, as estatísticas registravam a presença de 156.015 crianças no mercado de trabalho. Em 1999, quando o salário mínimo caiu para US$ 80,95, o número de crianças trabalhando no País subiu para 172.211.
O Dieese apurou que Curitiba é a capital que tem a segunda maior taxa de exploração do trabalho infantil, com 9,04% das crinças que trabalham em idade de 10 a 14 anos.

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