Centrais sindicais podem se unir contra mudança no mínimo
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
AgravamentoVicentinho: regionalização fará miséria crescerSÃO PAULO - Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical e Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) devem se unir para combater as possíveis mudanças no salário mínimo, que fariam parte de um projeto do Ministério do Trabalho. O diretor da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, disse ontem que de maneira alguma aceitará prejuízos para aposentados com a adoção de um Piso da Previdência Social, conforme anunciado pelo assessor especial do Ministério do Trabalho, Jorge Jatobá, que prega o fim do salário mínimo unificado nacionalmente.
Posso até apoiar uma eventual regionalização do salário mínimo, muito bem discutida com as centrais sindicais, mas não uma discriminação para aposentados apenas para acertar as contas da Previdência Social, atacou Paulinho. O problema da Previdência se revolve com reformas. Segundo ele, o ministro Paulo Paiva, em conversa por telefone ontem, negou a enfaticamente existência do projeto.
O presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, afirmou que o projeto pretende nivelar por baixo os ganhos de aposentados e de trabalhadores da ativa. O custo de vida em estados pobres é muitas vezes mais alto que o de São Paulo e portanto uma regionalização vai agravar o problema da miséria, afirmou. Para ele, não é contendo os ganhos de aposentados e empregados do Norte e Nordeste que a Previdência Social vai melhorar. Todos os projetos do Ministério do Trabalho, ultimamente, se destinam a precarizar a situação dos trabalhadores e a criar empregados de segunda classe no País.
Pela CGT, o presidente Enir Severino da Silva, disse que está disposto a enviar sindicalistas ao Congresso, caso o projeto seja encaminhado. Com boa parte de sua base no Norte e Nordeste, Enir afirmou que tem condições de sensibilizar as bancadas destes Estados para votar contra.
Empresários O fim da unificação do salário mínimo, com a criação do Piso Social da Previdência Social (PSPS), caso se concretize, encerra um período de quase 20 anos de achatamento progressivo da renda dos trabalhadores. A medida também tem o efeito de dar novo fôlego à Previdência Social e às contas públicas, especialmente dos municípios mais pobres que não têm condições de arcar com folhas de pagamento compatíveis com salários pagos pelo setor privado.
Essa é a opinião de alguns empresários que consideram difícil a aprovação dessa proposta pelo Congresso. Deverá enfrentar forte resistência por parte de alguns setores da sociedade, especialmente de aposentados e de servidores públicos. O diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Guilherme Quintanilha de Almeida, lembra que o salário mínimo foi unificado em 1978 por obra do então ministro do Trabalho, Murilo Macedo.
Na ocasião, quando o salário mínimo era mais digno, o empresário fez uma previsão sombria, segundo informou. O salário, que até então era diferenciado e arbitrado a cada ano de acordo com a capacidade econômica de três regiões distintas do País, seria nivelado a médio prazo ao valor do Piauí.


